[Astronovas] DESCOBERTA ZONA DE CONCENTRAÇÃO DE RADIAÇÃO EM TEMPESTADES SOLARES
astronovas at oal.ul.pt
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Mon Dec 27 15:26:30 WET 2004
DESCOBERTA ZONA DE CONCENTRAÇÃO DE RADIAÇÃO EM TEMPESTADES SOLARES
Os cientistas foram surpreendidos com a descoberta que o Campo Magnético
da Terra pode concentrar radiação emitida pelo Sol durante tempestades
solares poderosas, mesmo em locais que se pensavam seguros. Uma dessas
regiões é o espaço entre os 2 cinturões de Van Allen (dispostos um dentro
do outro) que rodeiam o nosso planeta. O espaço livre entre os cinturões
é uma zona que se assumia relativamente segura na qual os satélites podiam
orbitar sem grande risco por ser uma zona com baixos níveis de radiação.
Durante o último período de maior actividade solar a radiação atingiu aí
níveis altíssimos tornando-a perigosa por mais de 5 semanas.
Pode ver um esquema dos cinturões de Van Allen em:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/varios/VanAllen.jpg
A beleza da Ciência é que não há verdades absolutas. Muitas vezes os
cientistas pensam que compreendem bem os fenómenos e a Natureza troca-lhes
as voltas. Um desses casos ocorreu no Outono passado quando uma enorme
quantidade de explosões massivas tiveram lugar no Sol. Estas quebraram
todos os recordes, emitindo milhões de toneladas de gás ionizado em
direcção à Terra.
Os cientistas têm como assente que o espaço é perigoso para satélites e
astronautas desprotegidos mas pensavam que tinham encontrado uma zona
segura em volta da cintura de radiação da terra que funcionava como um
pequeno abrigo durante as perigosas tempestades solares. Verificou-se
agora que quando as tempestade solares são suficientemente fortes mesmo
esta zona pode transformar-se numa das mais perigosas pelos níveis de
radiação que passa a comportar.
Sabemos agora que existirá sempre a possibilidade de um satélite ser
atingido por uma dose significativa de radiação, independentemente da sua
órbita. É necessário tomar esta informação em conta quando se projecta um
veículo espacial. É também demonstrada a importância da monitorização da
"meteorologia" espacial para que sejam tomadas medidas de protecção
durante as tempestades solares.
A região em análise corresponde ao espaço entre os dois cinturões de Van
Allen que rodeiam o nosso planeta. Estes dois cinturões fazem lembrar um
donut dentro de outro e contêm uma enorme quantidade de partículas
carregadas, presas no campo magnético terrestre. Podem ser considerados
como um guarda-chuva gigante que protege a Terra das partículas com carga.
A zona "segura" era considerada como óptima para satélites em órbitas de
altura média em torno do nosso planeta pois aí seriam expostos a doses
mínimas de radiação sendo bem mais baratos e simples de construir.
Apelidar de activo o Sol em Outubro/Novembro passado é nitidamente
insuficiente. Num período de 2 semanas manifestou um número invulgarmente
alto de Ejecções de Massa Coronais (CMEs - Coronal Mass Ejections) e
manifestou explosões muitas vezes mais poderosas que quaisquer outras
alguma vez observadas. As ejecções solares são classificadas por número e
classe. Uma de dimensões consideráveis pode ser catalogada, por exemplo,
como X-2. A ejecção de 4 de Novembro foi classificada como X-28. Este
valor situa-se "fora da escala" devido às dificuldades em obter medidas
exactas, tal foi a sua intensidade. Para aumentar o dramatismo da
situação, o Sol caminha para um período de menor actividade, fazendo com
que as ejecções do Outono passado sejam ainda mais invulgarmente altas. A
época de máxima actividade solar foi estabelecida como tendo ocorrido em
2000-2001.
A comunidade científca possui satélites para detectar estas variações de
humor do Sol. O satélite "Solar Anomalous and Magnetospheric Particle
Explorer" (SAMPEX) atravessa os Cinturões de Van Hallen detectando as
diferentes partículas existentes e medindo a sua quantidade. Observou a
formação de uma nova cintura na zona segura. Esta zona foi assim tornada
perigosa por mais de 5 semanas até que a radiação foi drenada e absorvida
pela atmosfera terrestre. Outros satélites ajudaram os investigadores a
detectar tempestades solares por estas gerarem auroras na Terra, em Marte,
Júpiter, Saturno e nos limites do Sistema Solar.
Este foi um acontecimente extraordinário que nos permitiu compreender
melhor como funcionam os cinturões de radiação. Tivémos sorte em ter
equipamento em órbita adequado para estudar o fenómeno. É a prova de que é
importante monitorizar a actividade meteorológica espacial pois existe
sempre a hipótese de sermos surpreendido pela Natureza.
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