[Astronovas] UMA GALÁXIA PRÓXIMA DO COMEÇO DO UNIVERSO
astronovas at oal.ul.pt
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Wed Mar 3 21:15:26 WET 2004
UMA GALÁXIA PRÓXIMA DO COMEÇO DO UNIVERSO
Astrónomos descobrem a mais antiga e distante galáxia até à data
Combinando a Advanced Camera for Surveys existente no telescópio
Hubble e os telescópios Keck no Hawaii, uma equipa de astrónomos
descobriu uma antiquíssima galáxia a cerca de 13 mil milhões de
anos-luz de distância. Esta distância corresponde a uma época
bastante jovem do Universo, apenas 750 milhões de anos após o Big
Bang, quando o Universo tinha apenas cerca de 5% da sua idade actual.
A descoberta da mais antiga galáxia alguma vez encontrada proporcionou
aos astrónomos o primeiro vislumbre do amanhecer cósmico.
Esta galáxia primordial está tão distante de nós que nem mesmo os mais
poderosos telescópios são capazes de a observar. Foi descoberta
aquando do estudo dum aglomerado de galáxias próximo chamado Abell
2218. Este aglomerado é tão massivo que o seu campo gravítico
deflecte e amplia os raios de luz que passam próximo dele. Na
realidade, a ténue luz emitida pela longínqua galáxia, intensificada e
desdobrada em 3 pelo aglomerado, revela 3 imagens separadas e
idênticas no céu - um efeito de ampliação gravitacional (daí serem
designadas por lentes gravitacionais) previsto por Albert Einstein.
Os astrónomos determinaram a distância a que a galáxia se encontra
através da análise da quantidade de luz que se desviou para o vermelho
através do seu percurso. Com um desvio entre 6,6 e 7,1, a galáxia foi
a fonte mais distante alguma vez observada. Estamos a olhar para a
primeira representante dos nossos ancestrais galácticos no percurso
evolucionário do Universo.
Logo depois do Big Bang, a temperatura era demasiado elevada para os
átomos se formarem. O Universo era um mar de plasma onde se moviam
protões e electrões independentes . Depois de 300 000 anos, o Cosmos
arrefeceu o suficiente para que essas partículas se conseguissem
ligar, formando atómos de hidrogénio. Esta transição criou a radiação
que hoje se detecta como sendo a radiação de fundo, na forma de
microondas. Mas esta energia desvaneceu-se rapidamente com a expansão
e arrefecimento do Universo, deixando o cosmos na escuridão por cerca
de 500 milhões de anos. Os cosmologistas referem-se a este período da
história do Cosmos como a Idade das Trevas.
O Cosmos permaneceu opaco para a radiação de altas-energias, como a
radiação ultravioleta, que consegue dissociar átomos, até que se
formou a
primeira geração de estrelas. Por volta dos 500 milhões de
anos de idade do Universo, as estrelas começaram a emitir raios
ultravioleta, re-ionizando o hidrogénio neutro que se
encontrava em volta delas. Quando os átomos se dissociaram em protões
e electrões, a radiação ultravioleta podia viajar livremente por todo
o Universo. Os astrónomos chamam a esta época a era de re-ionização.
Todos os factos apontam para que a galáxia descoberta seja do final da
era de re-ionização. Primeiro de tudo, com um diâmetro
assinalavelmente reduzido (2 anos luz apenas), a galáxia está de
acordo com o modelo "bottom-up" que defende que as primeiras galáxias
eram pequenas. Segundo, a galáxia jovem é observada a produzir
estrelas activamente; os astrónomos crêem que a taxa de produção de
estrelas das primeiras galáxias era dez vezes a das galáxias actuais.
Finalmente, a galáxia emite intensamente radiação ultravioleta, um
fenómeno esperado nas primeiras gerações de estrelas, que contêm uma
percentagem muito reduzida de elementos metálicos (em gíria
astrofísica são assim chamados os elementos mais pesados que o hélio).
A descoberta sublinha a incrível utilidade da ampliação gravitacional
como uma ferramenta para encontrar galáxias extremamente distantes que
de outra maneira seriam inacessíveis. Sem a ampliação de 25 vezes
proporcionada pelo aglomerado, este objecto do Universo primordial não
poderia ter sido identificado.
Observações futuras das galáxias ancestrais prometem proporcionar uma
grande quantidade de informação cosmológica, incluindo pormenores
acerca da re-ionização e pistas acerca dos primeiros processos de
formação galáctica. Mais importante ainda é o facto de que agora os
astrónomos sabem que é possível olhar para trás no tempo para as
primeiras luzes que iluminaram a escuridão absoluta.
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