[Astronovas] O PASSADO DA VIA LACTEA TERA SIDO MAIS TURBULENTO DO QUE SE PENSAVA
astronovas at oal.ul.pt
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Sat May 1 18:03:34 WEST 2004
O PASSADO DA VIA LÁCTEA TERÁ SIDO MAIS TURBULENTO DO QUE SE PENSAVA
A nossa casa é o local que melhor conhecemos. No entanto, a Galáxia
onde vivemos não segue este padrão. O nosso conhecimento acerca dos nossos
vizinhos estelares mais próximos tem sido bastante incompleto e afectado por
preconceitos sobre o seu comportamento.
Quando escolhemos estrelas para observação, elas têm sido geralmente
escolhidas devido ao facto de se pensar que essas estrelas, têm algo de
especialmente interessante, e não devido a serem comuns. Isto resultou numa
visão enviesada da evolução da nossa Galáxia.
Logo após o Big Bang, a Via Láctea começou como um ou mais
aglomerados difusos de gás constituídos quase só de hidrogénio e hélio. Com o
tempo, este gás organizou-se de forma a criar a galáxia achatada espiral na
qual habitamos nos dias de hoje. Entretanto, as estrelas foram-se formando
geração após geração, incluindo o nosso Sol que se terá formado há 4700
milhões de anos.
Algumas questões permanecem como tópicos quentes para os astrónomos
que estudam o nascimento e a evolução da Via Láctea e de outras galáxias.
Como se terá dado realmente o processo de formação? Terá sido um processo
rápido? Terá sido violento ou calmo? Quando se deu a formação dos elementos
químicos mais pesados? Como é que a Via Láctea modifica a sua composição e
forma à medida que o tempo passa?
Durante 15 anos, uma equipa de astrónomos passou mais de 1000 noites
em observações no telescópio de 1,5 metros do ESO e no telescópio suiço de 1
metro do Observatório Haute-Provence (França). Observações adicionais foram
realizadas no Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian. Um total de mais
de 14000 estrelas do tipo solar - de tipo F e G - foram observadas em média
quatro vezes cada uma, o que prefaz mais de 63000 observações
espectroscópicas individuais.
Este censo, agora completo, de estrelas vizinhas, fornece distâncias,
idades, análises químicas, velocidades e órbitas na rotação geral da Via
Láctea. Isto também permite a identificação de parte dessas estrelas (cerca
de um terço delas) as quais os astrónomos descobriram ser duplas ou
múltiplas.
Estes registos muito completos das estrelas na vizinhança do Sol,
fornecerão alimento às ávidas mentes dos astrónomos nos anos vindouros.
Estas observações providenciam as peças do puzzle, há muito procuradas, de
uma visão clara da vizinhança do Sol. Estas, marcam efectivamente a conclusão
de um projecto com início há mais de vinte anos.
De facto, este trabalho marca o cumprimento de um sonho antigo do
astrónomo dinamarques Bengt Stromgren (1908-1987), que iniciou o estudo da
história da Via Láctea através do estudo sistemático das suas estrelas. Nos
anos 50, este já tinha projectado um sistema especial de medições de cor de
forma a determinar eficientemente a composição química e a idade de várias
estrelas. Os telescópios de 0,5 e 1,5 metros no Observatório de La Silla, do
ESO, foram construidos de modo a tornar possiveis estes projectos.
Erik Heyn Olsen, outro astrónomo dinamarques, deu o primeiro passo em
1980 medindo o fluxo (intensidade luminosa) de 30000 estrelas do tipo A, F e
G - em vários comprimentos de onda - espalhadas por todo o céu até um limite
fixo de luminosidade.
Após isto, o satélite Hipparcos da ESA, determinou as distâncias e
velocidades precisas para estas e outras estrelas.
Os movimentos ao longo da linha de visão, as chamadas velocidades
radiais constituíam o elo em falta. Estas velocidades foram medidas através
do efeito de Doppler das linhas espectrais das estrelas - esta mesma técnica
é usada na detecção de planetas em órbita de outras estrelas - com o auxílio
do instrumento especializado CORAVEL.
Com a informação, relativa à velocidade, completa, os astrónomos
podem agora avaliar como as estrelas vagueavam pela Galáxia no passado, e
onde irão no futuro.
Pela primeira vez, possui-se um conjunto completo de estrelas
observadas que é uma fiel representação geral da população estelar no disco
da Via Láctea. Este conjunto é suficientemente grande para uma análise
estatística adequada e possui também informações completas acerca da
velocidade e de estrelas binárias.
Segundo a análise inicial realizada pela equipa, objectos tais como
nuvens moleculares, braços em espiral, buracos negros, e talvez uma estrutura
em forma de barra central na Galáxia, influenciou o movimento das estrelas
durante toda a história do disco da Via Láctea.
Por sua vez, isto revela que a evolução da Via Láctea foi muito mais
complexa e caótica do que assumiam os modelos simplificados tradicionais que
se têm considerado. Supernovas, colisões de galáxias e o colapso de grandes
nuvens de gás tornaram de facto a Via Láctea um local muito activo!
Algumas fotos relacionadas com esta notícia podem ser vistas em:
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2004/images/phot-10c-04.gif
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2004/images/phot-10b-04-preview.jpg
http://www.eso.org/outreach/press-rel/pr-2004/images/phot-10a-04-preview.jpg
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