[Astronovas] TELESCÓPIO DE INFRAVERMELHOS SPITZER ESPREITA LOCAIS ESCUROS E POEIRENTOS

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Fri Nov 26 14:30:24 WET 2004


TELESCÓPIO DE INFRAVERMELHOS SPITZER ESPREITA LOCAIS ESCUROS E POEIRENTOS 


	Novos dados do telescópio espacial Spitzer forneceram aos astrónomos uma
ajuda na obtenção de uma melhor compreensão de como se formam estrelas a 
partir de espessas nuvens de gás e poeira, e de como as moléculas presentes 
nessas nuvens, em última instância, se tornam planetas.

        As observações científicas realizadas com o auxílio do Spitzer, tiveram
inicio há menos de um ano.  Desde essa altura, devido às "capacidades
infravermelhas" deste observatório científico, foi possível revelar centenas de
novos objectos espaciais, demasiado frios, distantes ou débeis para serem
observados por outros telescópios.  A juntar a estas descobertas, encontram-se
outras duas detecções recentes:  a de um estranho objecto de fraca luminosidade
no interior daquilo que se julgava ser uma nuvem "vazia", e a descoberta de
blocos de gelo em discos de formação planetária, num sistema que se acredita
assemelhar-se ao sistema solar na sua infância.

        Na primeira destas descobertas, os astrónomos detectaram um objecto
débil, semelhante a uma estrela, no local menos esperado - num "núcleo sem
estrelas".  Os núcleos sem estrelas, designados assim devido à aparente ausência
de estrelas, são aglomerações densas de gás e poeira que deveriam eventualmente
formar novas estrelas individuais.  Com o auxílio dos "olhos infravermelhos" do
Spitzer, uma equipa de astrónomos sondou dezenas destes núcleos poeirentos de
forma a compreender as condições necessárias para a formação de estrelas.

          Os núcleos sem estrelas são objectos de estudo fascinantes devido a
poderem fornecer-nos informação sobre as condições existentes, instantes antes
da formação de uma estrela.  Compreender este meio é a chave para melhorar as
teorias acerca da formação estelar.

        Os cientistas encontraram algo surpreeendente quando observaram o
interior de um destes núcleos, designado por L1014:  um brilho proveniente de um
objecto semelhante a uma estrela.  Este objecto desafia todos os modelos de
formação estelar visto que o seu brilho é mais débil do que seria de esperar
para uma jovem estrela.  Os astrónomos teorizaram acerca da natureza deste
misterioso objecto chegando à conclusão que este poderia ser:  uma estrela
falhada, isto é uma anã castanha, a mais jovem até agora detectada; uma estrela
recém-formada observada num estágio precoce do seu desenvolvimento; ou outra
coisa completamente diferente.

Para ver uma imagem deste objecto (L1014) na luz visível e na luz infravermelha,
use o seguinte link:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/spitzer041109.jpg

        Localizado a 600 anos-luz, na constelação de Cisne, este objecto poderá 
representar uma nova forma de formação de estrelas ou anãs castanhas, uma 
espécie de versão furtiva da formação estelar. Sendo o brilho destes 
objectos muito débil, estudos anteriores não os conseguiriam ter detectado.

        Noutra descoberta, os "olhos infravermelhos" do Spitzer perscrutaram o 
local onde os planetas são formados, o centro de um disco poeirento em torno 
de uma estrela muito jovem, espiando os ingredientes gelados dos planetas e 
cometas. Esta foi a primeira detecção concreta de gelo presente em discos de 
formação planetária.

        Possuindo o tamanho certo, uma estrela central pequena e provavelmente 
suficientemente estável para suportar um sistema planetário rico em água por 
milhares de milhões de anos, este disco assemelha-se muito à ideia que temos 
do sistema solar quando este tinha apenas umas poucas centenas de milhares 
de anos.

        No passado, os astrónomos foram capazes de detectar gelo, ou partículas
de poeira revestidas de gelo, em grandes casulos de gás e poeira envolvendo
estrelas jovens.  Contudo, não era possível distinguir este gelo daquele
presente na porção interior de um disco estelar, a porção de formação
planetária.  Com o auxílio da visão infravermelha ultra-sensível do Spitzer e de
um truque inteligente, a equipa foi capaz de ultrapassar este obstáculo,
chegando mesmo a detectar iões de amónia, assim como componentes de água e gelo
de dióxido de carbono.

        O truque utilizado foi observar uma estrela jovem e o seu disco
poeirento ao "alvorecer".  Os discos podem ser observados a partir de uma
variedade de ângulos que variam entre os 0 e 90 graus.  Observados segundo um
ângulo de 90 graus (vistos de lado), os discos são vistos como barras escuras,
observados segundo um ângulo de 0 graus (vistos de frente), a luz da estrela
central ofusca o disco.  A equipa descobriu que se observassem um disco segundo
um ângulo de 20 graus, numa posição na qual a estrela espreita pelo "horizonte",
como o Sol ao amanhacer, o gelo poderia ser detectado.

A ilustração de alguns destes efeitos pode ser vista em:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/spitzer123a.jpg

        Segundo os modelos formados pelos cientistas, a procura de gelo nos
discos resumia-se ao problema de encontrar um objecto com o ângulo certo de
inclinação, o que foi confirmado pelo Spitzer.



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