[Astronovas] Palestra Pública do OAL: esta 6ª feira dia 29 Abril

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Wed Apr 27 11:21:24 WEST 2005


O Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) oferece palestras públicas mensais, 
de entrada livre, no Edifício Central, sobre temas de Astronomia e Astrofísica, normalmente às 21h30 na última sexta-feira de cada mês.

A entrada faz-se pelo Instituto Superior de Agronomia, portão da Calçada da 
Tapada. No Final de cada palestra e caso o estado do tempo o permita, fazem-se 
observações dos corpos celestes com telescópio.

Para mais informações use o telefone 213616730, ou consulte 
http://www.oal.ul.pt/palestras. 

				PALESTRA DESTE MÊS

29 de Abril de 2005
"Einstein: o Homem e o Cientista", por Prof. Dr. Paulo Crawford
Departamento de Física da FCUL e Centro de Astronomia e Astrofísica da UL

Resumo: 

No ano de 1905, Albert Einstein então com 26 anos, termina cinco trabalhos 
notáveis em seis meses, 4 artigos e a uma dissertação de doutoramento, em três 
áreas distintas da física: os quanta de luz, o movimento browniano e a  teoria 
da relatividade restrita. Desta forma completa o edifício da física clássica e 
lança as bases de toda a física moderna,  influenciando de uma forma definitiva 
a física que irá ser construída no século XX e no princípio do século XXI. 

Na sequência dos trabalhos de 1905, assistimos à criação das duas grandes 
teorias que revolucionaram a nossa descrição do mundo físico. A primeira 
destronou os nossos conceitos de espaço e tempo (absolutos), combinando-os 
naquilo que hoje designamos por espaço-tempo, e que a através da sua curvatura 
incorpora as propriedades omnipresentes e algo misteriosas do campo gravítico. A 
segunda, alterou completamente a maneira como compreendemos a natureza da 
matéria e da radiação, fornecendo-nos uma representação da realidade onde as 
partículas se comportam como ondas e as ondas como partículas, onde as nossas 
descrições físicas habituais ficam sujeitas a incertezas essenciais, e onde 
objectos individuais podem manifestar-se em vários lugares ao mesmo tempo. A 
primeira destas revoluções é hoje designada Teoria da Relatividade e, a segunda, 
Teoria Quântica.  É notável que um único físico ? Albert Einstein ? tenha 
lançado as fundações das duas teorias revolucionárias no mesmo ano de 1905. Se a
relatividade restrita pode ser considerada um trabalho com contribuições de 
vários cientistas, a relatividade geral foi essencialmente o resultado do 
trabalho de um só: Albert Einstein. 

Em 1907, quando ainda trabalhava na Repartição das Patentes de Berna, Einstein 
teve  "o pensamento mais feliz" da sua vida, como ele o designou mais tarde. A 
igualdade entre a massa inercial e a massa gravitacional só poderia ser uma 
indicação de uma conexão íntima entre a inércia e a gravidade. A esta conexão 
entre movimento acelerado e gravidade, Einstein chamou "princípio da 
equivalência". Com base neste novo dado acreditou que seria capaz de construir 
uma teoria que substituiria a teoria da gravidade de Newton, o que só veio a 
acontecer no final de Novembro de 1915, depois de um mês de intenso trabalho na 
massacrada cidade de Berlim, onde a maioria dos físicos faziam então parte do 
esforço de guerra. Quando foram anunciadas em Londres, em Novembro de 1919, que 
as medidas do encurvamento dos raios luminosos rasando o Sol durante um eclipse 
solar confirmavam as previsões da teoria da relatividade geral, Einstein 
tornou-se de um dia para o outro, aos olhos da opinião pública, no maior e mais 
famoso cientista de sempre, com a popularidade de uma estrela do cinema, cujas 
opiniões científicas, políticas ou morais eram escutadas com respeito e 
admiração. E Einstein, que até então tinha tido um envolvimento político 
relativamente discreto, passou a usar a sua celebridade nos anos que se seguiram
na defesa de várias causas que lhe eram caras, como o pacifismo, o Sionismo e o 
desarmamento. 

Por volta de 1920 Einstein volta-se para uma questão ainda mais ambiciosa: a 
construção de uma teoria clássica de campo, seguindo o modelo da relatividade 
geral, mas capaz de unificar o tecido do espaço-tempo (responsável pelos efeitos 
da gravidade) e o campo electromagnético de Maxwell-Lorentz. Nessa tentativa, em 
vez de reduzir a estrutura do espaço-tempo à matéria, Einstein esperava mostrar 
como a matéria poderia emergir deste campo unificado. Esta é a tarefa que o 
absorverá quase em absoluto até ao fim da sua vida em 1955. hoje reconhecemos 
que essas primeiras teorias unificadas de Einstein representaram avanços 
significativos no sentido da unificação que de alguma forma se reflectem nas 
teorias de supergravidade e de supercordas dos últimos 30 anos. Poderá 
perguntar-se porquê os trabalhos de Einstein sobre a unificação não tiveram 
maior sucesso? Alguns sugerem que Einstein teria deixado de seguir a sua 
intuição física, e teria sido seduzido pelas novidades formais da matemática. 
Outros admitem simplesmente que Einstein estava à frente do seu tempo, pois 
mesmo que tivesse seguido a física contemporânea mais de perto, a informação 
disponível antes da sua morte era claramente insuficiente para que pudesse fazer
um progresso significativo no sentido da unificação da física. Einstein esperava
que uma teoria unificada pudesse resolver todos os enigmas da teoria quântica. 
Embora o quadro acual seja muito diferente daquele que existia no tempo de 
Einstein, pode afirmar-se sem reserva que o seu trabalho realmente inspirou as 
modernas tentativas de unificação das interacções físicas.



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