[Astronovas] UM LOCAL SEMELHANTE À NOSSA CASA
astronovas at oal.ul.pt
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Sat May 7 14:43:17 WEST 2005
UM LOCAL SEMELHANTE À NOSSA CASA
O Telescópio Espacial Spitzer localizou o que aparenta ser uma nuvem de poeira,
resultado da colisão de asteróides numa cintura em órbita em torno de uma
estrela semelhante ao Sol. Esta descoberta oferece aos astrónomos um raro
vislumbrar de um sistema estelar que se assemelha ao nossa sistema solar e que
pode representar um passo importante na aprendizagem de se, e onde outras
"Terras" se formam.
Para ver uma ilustração artística de uma cintura de asteróides em órbita em
torno de uma estrela com o mesmo tamanho e idade do Sol, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/varios/asteroides1.jpg
Os asteróides são os despojos dos blocos de construção de planetas rochosos como
a Terra. Não é possível ainda observar directamente outros planetas terrestres,
embora agora seja possível estudar os seus fósseis poeirentos.
As cinturas de asteróides são o "lixo acumulado nos quintais" dos sistemas
planetários. Estão misturados com os fragmentos rochosos de planetas falhados,
que ocasionalmente colidem uns com os outros, libertando plumas de poeira. No
nosso sistema solar, os asteróides têm vindo a colidir com a Terra, a Lua e
outros planetas.
Caso se confirme, a nova cintura de asteróides será a primeira a ser detectada
em torno de uma estrela com aproximadamente a mesma idade e tamanho que o Sol.
A estrela, designada HD69830, encontra-se a 41 anos-luz da Terra. Existem
outras duas cinturas de asteróides distantes conhecidas, mas estas orbitam
estrelas de maior massa e mais jovens.
Embora esta nova cintura seja o que mais se aproxima da cintura do nosso sistema
solar, ela não constitui um gémeo perfeito. A cintura é mais espessa que a
nossa cintura de asteróides, com 25 vezes mais material que esta. Se o nosso
sistema solar possuisse uma cintura tão densa, a sua poeira iluminaria o céu
nocturno aparecendo como uma banda brilhante.
Para ver uma concepção artística ilustrativa deste fenómeno, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/varios/asteroides2.jpg
Na primeira figura, podemos ter uma ideia de como um observador num planeta
localizado no sistema da HD69830 contemplaria o céu nocturno. Pode-se observar
claramente uma faixa brilhante a atravessar o céu. Na segunda figura, podemos
observar uma faixa muito menos brilhante, observada a partir da Terra.
A cintura de asteróides alienígena encontra-se também muito mais próxima da sua
estrela. A nossa cintura de asteróides está localizada entre as órbitas de
Marte e Júpiter, enquanto que aquela encontra-se no interior de uma órbita
equivalente à de Vénus.
No entanto, as duas cinturas poderão ter uma característica importante em
comum. No nosso sistema solar, Júpiter comporta-se como uma parede exterior
para a cintura de asteróides, dispondo os detritos desta numa série de
bandas. Semelhantemente, um planeta, ainda não visto, do tamanho de Saturno ou
menor poderá estar a organizar o entulho desta estrela.
Uma das missões futuras de caça a planetas, da NASA, a SIM PlanetQuest, poderá
vir em última instância a identificar este planeta a órbitar a HD69830. Esta
missão, que detectará planetas menores que a Terra, tem lançamento previsto
para 2011.
A equipa responsável por esta descoberta utilizou o espectrógrafo de
infravermelhos do Spitzer de modo a observar 85 estrelas semelhantes ao Sol.
Apenas na HD69830 foi encontrada a possibilidade da existência de uma cintura
de asteróides. Os astrónomos não observaram directamente e concretamente os
asteróides, mas detectaram um disco espesso de poeira fria confinada à parte
interior do sistema estelar. O mais provável é que a poeira tenha vindo de uma
cintura de asteróides na qual colisões poeirentas ocorram com relativa
frequência, aproximadamente a cada 1000 anos.
Devido ao facto de esta cintura possuir mais asteróides que a nossa, as
colisões são maiores e mais frequentes, razão pela qual foi possível ao Spitzer
detectá-la. Nos dias hoje, o nosso sistema solar é um lugar calmo onde
impactos com a escala do que matou os dinossauros a ocorrerem apenas a cada 100
milhões de anos (aproximadamente).
De forma a confirmar que a poeira detectada pelo Spitzer é de facto proveniente
dos asteróides, uma segunda teoria, menos provável, terá de ser excluída. De
acordo com os astrónomos, é possível que um cometa gigante, quase tão grande
como Plutão, tivesse sido empurrado em direcção ao interior deste sistema solar
e que esteja a derreter-se lentamente, deixando um rasto de poeira.
Esta hipótese foi proposta quando os astrónomos descobriram que a poeira em
torno da estrela é constituída por pequenos cristais de silicato como aqueles
encontrados no cometa Hale-Bopp.
A teoria do "super cometa" aproxima-se mais de um tiro no escuro, embora se
espere que em breve se possa saber de facto se o é ou não. É esperado que
observações futuras do Spitzer e de telescópios terrestres ajudem a chegar à
conclusão se a fonte da poeira são os asteróides ou os cometas.
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