[Astronovas] UMA HISTÓRIA CELESTE DE VIDA PARA ALÉM DA MORTE
astronovas at oal.ul.pt
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Fri Jan 20 18:33:43 WET 2006
UMA HISTÓRIA CELESTE DE VIDA PARA ALÉM DA MORTE
Com o auxílio do telescópio espacial Spitzer, foi possível observar o que se
pensa ser poeira de cometas em torno da anã branca G29-38, que morreu há
aproximadamente 500 milhões de anos.
Esta descoberta sugere que esta estrela, que provavelmente terá consumido os
seus planetas interiores, tem ainda em sua órbita um anel de cometas e
possivelmente planetas exteriores. Esta é a primeira evidência observacional de
que os cometas podem sobreviver às suas estrelas.
Há décadas que os astrónomos sabem que as estrelas nascem, atravessam um período
longo de "meia idade" e no fim deste desvanecem ou explodem. Os cientistas
estão a usar o Spitzer como uma ajuda preciosa para a compreensão de como os
sistemas planetários evoluem em conjunto com as suas estrelas anfitriãs.
Os astrónomos acreditam que as anãs brancas são os esqueletos "encolhidos" de
estrelas que foram outrora semelhantes ao Sol. À medida que as estrelas foram
envelhecendo, após milhares de milhões de anos, tornaram-se mais brilhantes e
eventualmente aumentaram de tamanho, tornando-se gigantes vermelhas. Após
milhões de anos, as camadas da atmosfera exterior das gigantes vermelhas
foram-se dispersando para o espaço, deixando para trás uma anã branca.
Se algum planeta orbitasse este tipo de sistema, a gigante vermelha teria
"engolido" pelos menos os planetas interiores. Apenas os planetas exteriores
distantes juntamente com uma "comunidade" gelada de cometas poderiam ter
sobrevivido.
Provavelmente, as poeiras observadas pelo Spitzer em torno da G29-38 foram
criadas recentemente aquando de uma possível entrada de um destes cometas na
região interior do sistema. As forças de maré da anã branca terão desfeito o
cometa e tranformado este objecto em poeira.
Para ver uma ilustração artística de um cometa a ser desfeito em torno da
estrela G29-38, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/varios/comet.jpg
Antes desta descoberta, os astrónomos já tinham estudado a G29-38 e reparado
numa fonte de infravermelhos desconhecida e pouco comum. Com o seu poderoso
espectrómetro de infravermelhos, o Spitzer foi capaz de estudar esta radiação.
Os dados provenientes deste estudo apontam para que esta luz seja proveniente do
mesmo tipo de poeiras encontradas em cometas do nosso sistema solar. Foi
detectada uma grande quantidade de grãos muito pequenos de silicato. O tamanho
destes grãos mostra que estes são provavelmente oriundos apenas de cometas.
No nosso sistema solar, os cometas residem nas fronteiras exteriores e frias, em
regiões conhecidas como a Cintura de Kuiper e a Nuvem de Oort. Estes objectos
iniciam as suas jornadas periódicas até à vizinhança quente do Sol, apenas
quando algo, um outro cometa ou um planeta exterior, causa distúrbios nas suas
órbitas. No entanto, estas viagens geralmente acabam com a destruição destes
objectos. Os cometas desintegram-se lentamente à medida que se aproximam do
Sol, ou então colidem contra a estrela. Ocasionalmente os cometas também
colidem com planetas, como foi o caso do cometa Shoemaker-Levy 9 que mergulhou
na atmosfera de Júpiter.
Embora a poeira observada pelo Spitzer em torno da anã branca seja muito
provavelmente os restos de um cometa desfeito, poderão existir outras
explicações. Uma possibilidade é a de que uma segunda vaga de planetas terá
sido formada, muito depois da morte da estrela, deixando para trás uma zona de
construção poeirenta.
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