[Astronovas] MAIS UM PASSO NA COMPREENSÃO DE UM FENÓMENO PODEROSO
astronovas at oal.ul.pt
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Fri Nov 24 15:22:44 WET 2006
MAIS UM PASSO NA COMPREENSÃO DE UM FENÓMENO PODEROSO
Com o auxílio do telescópio espacial Swift, uma equipa de cientistas observou
duas dúzias de explosões de estrelas, designadas por supernovas, pouco depois de
estas terem ocorrido. Com estas observações os astrónomos descobriram algumas
propriedades que nunca tinham sido observadas anteriormente.
As descobertas foram concretizadas através da obtenção rápida de imagens de
supernovas comuns. Numa das observações realizadas, a equipa confirmou a origem
das supernovas de Tipo Ia. Este tipo de supernovas é uma classe importante de
explosões utilizada para medir distâncias e a energia escura. Noutras
observações, descobriram novos mecanismos de produção de radiação na gama dos
raios-X e dos ultravioleta.
Normalmente as supernovas são observadas alguns dias ou semanas depois de terem
ocorrido. Em algumas destas novas observações, os cientistas foram capazes de
chegar à "cena do crime" e investigar estas explosões algumas horas ou dias
depois de estas terem ocorrido. Com isto, os cientistas estão a descobrir pistas
acerca de como as estrelas explodem, pistas essas que teriam desaparecido se os
telescópios tivessem sido apontados para elas uns dias mais tarde.
O objectivo principal do telescópio espacial Swift é o estudo das explosões de
raios-gama (ERG), as explosões mais energéticas de todo o Universo. A maioria
das ERG não duram mais do que cerca de 10 segundos, o que torna essencial a
rapidez de um instrumento para a detecção e estudo destes fenómenos. Possuidor
de uma agilidade extrema e uma capacidade de observação em vários comprimentos
de onda, o Swift além de ser um instrumento precioso no estudo das ERG, revelou
que estas características são cruciais na procura de uma melhor compreensão
acerca das supernovas.
Existem vários tipos de supernovas que diferem na forma como são originadas e na
radiação que emitem. Enquanto que na nossa galáxia uma supernova ocorre apenas
uma ou duas vezes a cada século, no Universo próximo, este número aumenta para
umas dúzias. Estas explosões ocorrem suficientemente perto para serem observadas
e estudadas em detalhe utilizando telescópios terrestres e espaciais.
No estudo realizado pela equipa, duas supernovas destacaram-se.
Uma das explosões, designada por SN 2005ke é a primeira supernova Tipo Ia a ser
detectada no comprimento de onda dos raios-X, e revelou ser muito mais brilhante
nos ultravioleta do que se esperava. As supernovas Tipo Ia são designadas por
"velas padrão" e os astrónomos utilizam-nas para medir distâncias no Universo
devido ao facto de cada uma destas explosões possuir uma luminosidade conhecida.
Para ver um conjunto de 3 imagens (da esquerda para a direita: no óptico, no
ultravioleta e nos raios-X) da SN 2005ke, Consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/suer1.jpg
Existem duas teorias para a origem das supernovas Tipo Ia: a explosão de uma anã
branca que orbita uma outra anã branca, ou a explosão de uma anã branca em
órbita de uma estrela gigante vermelha. A anã branca é um objecto muito denso e
pode "roubar" matéria à sua companheira. Devido à adição de matéria, a anã
branca acaba por aumentar a sua massa que, ao atingir o nível crítico de 1,4
massas solares, acaba por explodir.
A equipa descobriu evidências directas, na luz ultravioleta e raios-X
proveniente da SN 2005ke, de que a anã branca (agora desfeita) estava em órbita
de uma gigante vermelha. Os cientistas detectaram ondas de choque originadas
pela explosão a colidirem violentamente com o gás de uma gigante vermelha, não
tendo encontrado evidências de mais nenhuma anã branca no sistema. Esta
observação poderá auxiliar os astrónomos na compreensão dos locais de nascimento
e evolução destas supernovas e consequentemente fornecer informações cruciais ao
campo da cosmologia e energia escura.
Uma outra supernova a destacar-se foi a SN 2006bp. Esta supernova, de Tipo II, é
originada pelo colapso do núcleo de uma estrela de granda massa quando esta
esgota o seu combustível. No caso desta supernova, a equipa foi capaz de
observar a explosão em detalhe, menos de um dia após esta ter ocorrido, um
recorde para qualquer telescópio espacial. A equipa descobriu que radiação no
comprimento de onda dos raios-X está presente após a explosão e que estes
raios-X acabam por desaparecer em alguns dias. Isto mostra que até agora os
astrónomos têm perdido a oportunidade de estudar em maior detalhe este tipo de
explosões, pois normalmente os observatórios de raios-X só são dirigidos para
estas explosões pelo menos uma semana depois.
Para ver um conjunto de 3 imagens (da esquerda para a direita: no óptico, no
ultravioleta e nos raios-X) da SN 2006bp, Consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/suer2.jpg
Os raios-X fornecem informações directas acerca da composição química e da
vizinhança da estrela que explodiu. Esta radiação é também um indicador da
presença, na vizinhança da estrela, de gás muito quente aquecido pela explosão.
As observações realizadas pelo satélite Swift implicam que, ao contrário do que
se pensava, os ventos estelares não criaram nenhuma cavidade em torno da estrela
antes desta explodir.
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