[Astronovas] A DESCOBERTA DE UMA MINA DE OURO

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Tue Oct 3 11:42:18 WEST 2006


A DESCOBERTA DE UMA MINA DE OURO

Ao analisarem duas das imagens mais profundas do Universo, obtidas com o 
auxílio do telescópio espacial Hubble, uma equipa de astrónomos descobriu 
uma "mina de ouro" de galáxias. Estas galáxias (mais de 500) formaram-se 
quando o Universo tinha apenas 7% da sua idade actual (13,7 mil milhões de 
anos), o que corresponde a menos de mil milhões de anos após o Big Bang. 
Como tal, este grupo recém-descoberto representa a compilação mais 
abrangente de galáxias no Universo jovem.

Científicamente, esta descoberta é de uma importância extrema para a 
compreensão da origem das galáxias, considerando que há apenas uma década a 
formação de galáxias no Universo jovem era practicamente um terreno 
desconhecido. Os astrónomos nunca tinham sido capazes de observar uma 
galáxia que tivesse existido quando o Universo tinha apenas mil milhões de 
anos. Agora, a descoberta de 500 destes objectos representa um passo 
significativo para os cosmólogos.

As galáxias reveladas pelo Hubble são mais pequenas do que as actuais 
galáxias gigantes, e com tons bastante azulados. Este tom azul indica uma 
formação estelar explosiva. As imagens obtidas aparecem em tons de vermelho 
devido à tremenda distância a que estes objectos se encontram da Terra. A 
luz azul das suas estrelas jovens levou aproximadamente 13 mil milhões de 
anos a chegar até nós, e durante a sua jornada esta mesma luz foi desviada 
para comprimentos de onda na banda do vermelho devido à expansão do espaço.

Para ver uma imagem dos detalhes indivuais de algumas destas galáxias, 
consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/galvelha1.jpg

O facto de se ter descoberto tantas destas galáxias anãs, das quais apenas 
um pequeno número possuia um brilho considerável, é evidência de que as 
galáxias vão-se formando através da fusão de galáxias mais pequenas. Isto já 
era previsto pela teoria hierárquica da formação de galáxias.

Estas galáxias anãs produziam estrelas a uma taxa 10 vezes superior à das  
galáxias actuais mais próximas. Há muito que os astrónomos debatem se as 
estrelas mais quentes presentes nestas galáxias iniciais, tais como aquelas 
em estudo, poderiam ter fornecido radiação suficiente para reaquecer o 
hidrogénio frio que existia entre estes objectos no Universo jovem. Este gás 
tem vindo a arrefecer desde o Big Bang.

A observação destas galáxias, possuidoras de uma formação estelar explosiva, 
oferece evidências da existência, mil milhões de anos após o Big Bang, de 
galáxias em número suficiente para concluir o reaquecimento do Universo. 
Estas observações abrem assim uma nova janela para um período de mudanças 
fundamentais no Universo, e a população de galáxias agora observada foi 
também responsável por essas mudanças.

Em termos de tempo de vida dos humanos, os eventos cósmicos ocorrem muito 
lentamente. A evolução de galáxias e estrelas ocorre ao longo de milhares de 
milhões de anos. Devido a este facto, os astrónomos raramente testemunham 
transições dramáticas e relativamente curtas que tenham mudado o Universo. Um 
destes eventos é o "reaquecimento" do Universo.
O reaquecimento, gerado pela luz ultravioleta das estrelas, transformou o gás 
existente entre as estrelas, de uma "sopa" de hidrogénio fria e escura, para 
um plasma quente e transparente. Este processo ocorreu em apenas algumas 
centenas de milhões de anos. Com o auxílio do Hubble, os astrónomos estão a 
começar a ver que tipos de galáxias são responsáveis por este fenómeno. 

Há apenas alguns anos, os astrónomos não possuiam a tecnologia para realizar 
a detecção de um grande número de galáxias distantes. A instalação de uma 
nova câmara no Hubble em 2002 permitiu a sondagem dos cantos mais profundos 
do Universo.
Uma nova etapa nesta busca será atingida se um novo dispositivo sensível a 
infravermelhos for instalado neste telescópio. Este dispositivo permitirá a 
detecção de galáxias que estão tão distantes que a luz proveniente das suas 
estrelas chega até nós em comprimentos de onda do infravermelho. 

A descoberta deste grupo de galáxias pelo Hubble, abre as portas para a esperança de que o seu sucessor, o James Webb Space Telescope, possa 
descobrir muitos outros objectos e mais longínquos ainda. Com data de 
lançamento prevista para 2013, este novo telescópio será capaz de observar os 
recônditos do Universo e espreitar os primeiros objectos a serem formados.



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