[Astronovas] ESTRELAS QUE ILUMINAM O PASSADO

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Fri Feb 2 17:41:25 WET 2007


ESTRELAS QUE ILUMINAM O PASSADO

Com o auxílio do telescópio espacial Hubble, uma equipa de astrónomos obteve
uma imagem de uma das regiões de formação estelar localizada na Pequena Nuvem
de Magalhães. Nesta região, designada por N90, foi descoberta uma população de
estrelas muito jovens, o que permitiu à equipa examinar os processos de
formação estelar num ambiente muito diferente daquele que encontramos na nossa
galáxia. 

Para ver uma imagem da região de formação estelar N90, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/luz1.jpg 

A N90 encontra-se na periferia da Pequena Nuvem de Magalhães a aproximadamente
200 mil anos-luz da Terra. A relativa proximidade desta região torna-a um
"laboratório" excepcional para a realização de estudos aprofundados dos
processos de formação estelar. 
As galáxias anãs, como a Pequena Nuvem de Magalhães, possuem um pequeno número
de estrelas comparativamente à Via Láctea, e são consideradas os blocos
primitivos de construção das galáxias de maior dimensão. O estudo da formação
estelar observada na N90 é particularmente interessante para os astrónomos pois
a natureza primitiva da galáxia onde esta região está inserida, implica a
ausência de uma grande percentagem de elementos pesados que são gerados pela
fusão nuclear de sucessivas gerações de estrelas. Estas condições fornecem aos
astrónomos a possíbilidade de estudar a evolução estelar num ambiente
semelhante ao do Universo primitivo.

A imagem obtida pelo Hubble mostra algumas estrelas recém formadas que estão a
criar uma cavidade no centro da N90. A radiação altamente energética emitida
pelas estrelas jovens e muito quentes, faz com que a poeira e gás das camadas
interiores da nebulosa se dispersem. 
Como a N90 encontra-se a uma distância considerável do centro da sua galáxia
anfitriã, é possivel observar um grande número de galáxias como pano de fundo,
o que "fornece" às estrelas recém nascidas uma "visão" espectacular. A presença
de algumas poeiras na N90 faz com que as galáxias distantes observadas possuam
um tom vermelho acastanhado.

O Hubble tem sido frequentemente utilizado com o intuito de observar regiões de
formação estelar, mas raramente as regiões observadas são tão impressionantes e
fascinantes como a N90. No coração desta região encontra-se um enxame estelar
relativamente isolado cujo ambiente é aproximadamente análogo ao do Universo
primitivo. A existência de nuvens densas e escuras de poeira e o facto de o
enxame ser rico em gás ionizado sugere a existência de uma formação estelar
activa.

Uma outra equipa internacional de astrónomos descobriu uma população de
pequenas estrelas recém nascidas espalhadas ao longo da imagem obtida pelo
Hubble. Algumas destas estrelas, localizadas no centro da imagem em torno das
estrelas de tom azul esbranquiçado, captaram a atenção dos astrónomos devido ao
facto de estas ainda estarem a formar-se por acção do colapso gravitacional das
núvens de gás. A contracção destas estrelas ainda não atingiu o ponto em que os
seus núcleos estão quentes o suficiente para estas darem início à conversão do
hidrogénio em hélio.

Na parte superior e inferior da imagem da N90, é possível observar-se
estruturas formadas por poeira em forma de colunas e filamentos gasosos. A
orientação destas estruturas (chamadas por vezes de "pilares ou trombas de
elefante"), aponta para o aglomerado de estrelas jovens e quentes de tom azul
esbranquiçado no centro da N90 e revelam o poder de erosão destas estrelas.
Na imagem da N90 é possível traçar o percurso de formação estelar, começando
pelo início da formação de estrelas no centro do enxame e a sua posterior
propagação radial, estando as estrelas ainda em formação ao longo dos
filamentos de poeira.   

Para ver uma imagem da vizinhança da região N90, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/luz2.jpg 





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