[Astronovas] UMA MÍRIADE DE GALÁXIAS ANÃS
astronovas at oal.ul.pt
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Tue Jun 26 16:26:23 WEST 2007
UMA MÍRIADE DE GALÁXIAS ANÃS
Com o auxílio do telescópio espacial Spitzer, uma equipa de astrónomos
descobriu um conjunto de mais de mil galáxias anãs num enxame gigante de
galáxias.
As galáxias anãs, apesar dos seus tamanhos diminutos, desempenham um papel
crucial na evolução cósmica. Os astrónomos acreditam que estas foram as
primeiras galáxias a formar-se e que são os blocos de construção de galáxias de
maior dimensão. Este tipo de galáxias é de longe o mais numeroso no Universo e
ajudam a mapear a estrutura de larga-escala do Cosmos. Simulações computorizadas
de evolução cósmica sugerem que regiões do Universo de grande densidade, tais
como os enxames gigantes de galáxias, deveriam conter um número muito maior de
galáxias anãs do que aquele que tem vindo a ser observado.
Localizado na constelação Cabeleira de Berenice, o enxame estudado pela
equipa de astrónomos encontra-se a 320 milhões de anos-luz da Terra, e dele
conheciam-se previamente algumas centenas de galáxias, espalhadas por mais de 20
milhões de anos-luz.
A equipa utilizou dados do Spitzer para estudar as galáxias presentes no
centro do enxame. Galáxias localizadas nas regiões exteriores do enxame foram
também observadas com o objectivo de comparar as populações de galáxias em
diferentes localizações no enxame. Isto permite estudar como as variações do
meio influenciam a evolução destes objectos.
Juntando 288 imagens individuais obtidas pelo Spitzer, cada uma com um tempo
de exposição que variou entre os 70 e os 90 segundos, foi possível obter um
mosaico que cobre cerca de 1.3 graus quadrados do céu.
A equipa descobriu cerca de 30 mil objectos tendo alguns destes sido
identificados como galáxias pertencentes ao enxame da Cabeleira de Berenice.
Porém, muitas das galáxias observadas teriam de ser galáxias de fundo, não
pertencendo ao enxame.
Para ver uma imagem resultante da sobreposição de imagens obtidas no
infravermelho e no visível da região central do enxame da Cabeleira de
Berenice, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/coma1.jpg
A verde, na imagem, podem-se observar os objectos pouco luminosos detectados
pela equipa. Muitos destes objectos são galáxias anãs pertencentes ao enxame.
Pode-se ainda observar duas grandes galáxias elípticas, a NGC 4889 e a NGC
4874, que dominam o centro do enxame.
Com o auxílio do telescópio terrestre de 4 metros William Herschel, a equipa
mediu a distância a centenas de galáxias com o objectivo de estimar que
percentagem pertenceria, na realidade, ao enxame em estudo. Surpreendentemente,
concluiu-se que um grande número de galáxias pertence de facto ao enxame. Estes
objectos aparentam possuir massas comparáveis ou mesmo menores que a da Pequena
Nuvem de Magalhães, a segunda maior galáxia satélite da Via Láctea. Foi estimado
que cerca de 1200 dos 30 mil objectos identificados, sejam galáxias anãs
pertencentes ao enxame. Este é um número muito superior aquele identificado no
passado. Dado que as observações efectuadas abrangem apenas uma porção do
enxame, os resultados obtidos implicam uma população total de galáxias anãs de
pelo menos 4000.
Esta descoberta foi possível devido às capacidades únicas do Spitzer, que
permitiu detectar milhares de galáxias de pouca luminosidade previamente
desconhecidas. A localização privilegiada do telescópio espacial permite que,
num intervalo de tempo relativamente curto, seja possível realizar observações
muito sensíveis em enxames de galáxias próximas, como o enxame da Cabeleira de
Berenice.
Outras galáxias anãs pertencentes ao enxame da Cabeleira de Berenice poderão
estar à espera de serem descobertas nos dados do Spitzer, mas outros estudos
serão necessários para determinar quantas. A equipa encontra-se agora a
realizar medições espectroscópicas profundas com o telescópio de 6.5 metros do
Observatório do MMT (Arizona) e o telescópio de 10 metros Keck (Hawaii), de
forma a descobrir quantos dos objectos de fraca luminosidade encontrados
pertencem de facto ao enxame.
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