[Astronovas] OMEGA CENTAURI, ENXAME GLOBULAR OU GALÁXIA
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Tue Apr 22 16:37:13 WEST 2008
OMEGA CENTAURI, ENXAME GLOBULAR OU GALÁXIA?
Novas imagens obtidas com o auxílio do Telescópio Espacial Hubble e do
Observatório Gemini, no Chile, vieram dar uma nova visão à verdadeira natureza
do enxame globular Omega Centauri.
O Omega Centauri é o maior enxame globular no céu, assim como o mais brilhante,
podendo mesmo ser observado a olho nú. Este objecto está localizado logo acima
do plano da Via Láctea, a 17 mil anos-luz de distância da Terra. No hemisfério
Sul, num local desprovido de poluição luminosa, o Omega Centauri pode ser
observado com um diâmetro angular aproximado ao da Lua cheia, fazendo deste
objecto um dos alvos celestes predilectos para os admiradores do céu nocturno.
Para ver uma imagem do enxame globular Omega Centauri, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/ome1.jpg
As novas observações mostram que o Omega Centauri possui aparentemente um tipo
raro de buraco negro, dito "de massa intermédia", no seu centro. Isto implica
que provavelmente o Omega centauri não será um enxame globular como se pensava,
mas sim uma galáxia anã desprovida das suas estrelas exteriores.
A equipa responsável pela descoberta realizou medições do movimento e brilho das
estrelas localizadas no centro do Omega Centauri. Sabe-se que as velocidades
destas estrelas estão relacionadas com a massa total do enxame. No entanto, as
medições efectuadas revelaram velocidades bastante mais elevadas do que o
esperado, considerando a massa estimada pelo número e tipo de estrelas
observadas. Isso levou os astrónomos a concluir que terá de haver uma massa
extra (e invisível) no centro do enxame, algo que possa justificar as
velocidades elevadas observadas, muito provavelmente um buraco negro com
aproximadamente 40 mil massas solares.
Para ver uma imagem de grande campo da região em redor do enxame globular Omega
Centauri, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/ome2.jpg
Os novos resultados vieram mostrar também que existe uma gama contínua de massas
para os buracos negros - desde os buracos negros supermassivos, passando pelos
de massa intermédia e acabando nos com apenas algumas massas estelares.
Antes desta nova observação, os astrónomos possuiam apenas um exemplo de um
buraco negro de massa intermédia presente no enxame globular G1, localizado na
galáxia de Andrómeda. Acredita-se que a presença destes objectos seja a razão
mais provável para as velocidades elevadas das estrelas perto do centro dos
enxames. A equipa afirmou que este tipo de buracos negros poderá ser a semente
para a criação de buracos negros supermassivos. Isto fornece novas pistas
importantes para a compreensão de um dos possíveis mecanismos de
formação destes monstros galácticos.
A descoberta tem também implicações importantes na própria natureza do Omega
Centauri. Os enxames globulares possuem até um milhão de estrelas velhas ligadas
fortemente por forças gravitacionais e, são encontrados acima ou abaixo do plano
de muitas galáxias (incluindo a Via Láctea), numa região designada por halo da
galáxia. O Omega Centauri possui várias características que o distinguem de
outros enxames globulares: a sua velocidade de rotação é superior à média, a sua
forma é bastante achatada e é aproximadamente mais massivo do que outros enxames
globulares grandes, possuindo quase a massa de uma pequena galáxia. Para além
disso, o Omega Centauri é constituído por várias gerações de estrelas, ao
contrário dos enxames globulares típicos que são constituídos apenas por uma
geração de estrelas velhas.
O facto de os buracos negros de massa intermédia poderem ser raros e existirem
apenas em galáxias anãs que foram desprovidas das suas estrelas exteriores, vem
reforçar a ideia de que o Omega Centauri não é um enxame globular mas sim uma
galáxia anã que perdeu as suas estrelas exteriores num encontro ocorrido com a
Via Láctea no passado.
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