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Sexta-Feira, 6 de Junho de 2008 - 09:47:11 WEST



Primeiros resultados da missão Phoenix apontam para gelo quase à superfície

"Parece-me óptimo", disse Peter Smith, da Universidade do Arizona, EUA, quando viu as primeiras imagens do local onde a sonda Phoenix tocou o solo de Marte. Smith é o coordenador e investigador principal da missão Phoenix, que chegou ao planeta vermelho no dia 25 de Maio. A região polar norte de Marte foi escolhida para a aterragem por ali se pensar existir gelo poucos centímetros abaixo da superfície, ao alcance do braço robotizado da sonda. 

O desempenho da sonda foi exemplar, tendo em conta que Marte é um planeta de difícil aterragem, onde apenas metade das tentativas foram bem sucedidas. Depois de uma descida em pára-quedas, os propulsores na base da sonda ajudaram a uma suave chegada. Os primeiros momentos ainda foram de tensão para a equipa da sala de controlo, onde se receava que os painéis solares pudessem não se abrir. Mas desta vez tudo correu bem, e a Fénix está pronta para três meses em que fará fotografias e filmes e recolherá várias amostras de solo marciano, levando a cabo análises detalhadas de composição. 

Esta foi a primeira vez em que a chegada de uma sonda de superfície a outro planeta foi vista. A descida da Fénix foi fotografada pela missão Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), sendo visível contra a parede de uma cratera, em fundo (http://www.oal.ul.pt/astronovas/planetas/phoenix1.jpg ). Horas depois a MRO também confirmou visualmente a presença da sonda na superfície (http://www.oal.ul.pt/astronovas/planetas/phoenix2.jpg ).

As primeiras imagens da superfície mostraram uma zona praticamente sem rochas, um deserto gelado em que se podem observar curiosas formações poligonais. Este terreno poligonal já era conhecido dos cientistas através de imagens que as várias missões foram fornecendo, mas esta é a primeira vez em que terão a oportunidade de analisá-lo mais de perto (http://www.oal.ul.pt/astronovas/planetas/phoenix3.jpg ).

O braço robótico de 2,40 m foi usado pela primeira vez para, com a sua câmara, fotografar o solo por baixo da sonda. Viu o que pode vir a ser a primeira grande descoberta da missão: um possível bloco de gelo, que terá ficado exposto durante a aterragem quando os propulsores afastaram a poeira que o cobria (http://www.oal.ul.pt/astronovas/planetas/phoenix4.jpg e http://www.oal.ul.pt/astronovas/planetas/phoenix5.jpg ). No dia 31 o braço tocou o solo pela primeira vez, deixando uma marca semelhante a uma pegada (http://www.oal.ul.pt/astronovas/planetas/phoenix6.jpg ), baptizada Iéti.

A sonda Phoenix possui um conjunto de instrumentos muito diversos: uma câmara estereográfica para obter imagens em três dimensões, uma estação meteorológica, experiências para determinar as propriedades físicas e químicas do solo, e um mini-laboratório de química em que as amostras serão misturadas com água, analisadas e vistas ao microscópio. O braço robotizado, além de poder recolher amostras de solo e depositá-las nos instrumentos de análise, está também equipado com uma câmara.

O principal objectivo é determinar a presença de água no árctico de Marte e verificar se ali poderão existir vestígios de vida microbiana. Dadas as baixas temperaturas e pressões à superfície, a água deverá encontrar-se no estado sólido. Se alguma vez tiver existido vida em Marte, ela teria de se proteger dos raios ultravioletas do Sol, por isso a Fénix irá procurar vestígios de matéria orgânica numa camada de alguns centímetros abaixo da superfície.


NOTAS: imagens dos sítios http://phoenix.lpl.arizona.edu/ e http://www.jpl.nasa.gov/news/phoenix/main.php


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