[Astronovas] DESCOBERTO O OBJECTO MAIS LONGÍNQUO DO SISTEMA SOLAR
astronovas at oal.ul.pt
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Mon Apr 12 11:46:17 WEST 2004
DESCOBERTO O OBJECTO MAIS LONGÍNQUO DO SISTEMA SOLAR
Astrónomos do Caltech, do observatório Gemini e da Universidade de
Yale, descobriram o objecto mais distante do sistema solar. Por agora,
designado de 2003 VB12 ou Sedna (uma deusa do mar), encontra-se a uma
distância ao Sol equivalente a duas vezes a distância de qualquer outro
objecto e nunca se aproxima mais do que 90 vezes a distância Terra-Sol. Se
estivessemos na superfície de Sedna, poderiamos, segurando um alfinete e
esticando o braço, tapar o Sol apenas com a cabeça deste.
Os responsáveis desta descoberta ainda o mês passado encontraram um
outro corpo (2004 DW) numa órbita similar à de Plutão. Estes objectos, são
por vezes designados por "plutinos" e pertencem à Cintura de Kuiper, uma
região que começa para lá da órbita de Neptuno. Os astrónomos descobriram
cerca de 800 outros objectos gelados nesta região, incluindo Quaoar, Varuna e
2004 DW - o maior encontrado até à data. Os tamanhos estimados para os
maiores objectos da Cintura de Kuiper estão compreendidos entre os 900 e os
1400 quilómetros - entre um terço e dois terços do tamanho de Plutão.
Esta equipa gere um programa dedicado à descoberta de corpos nos
confins do sistema solar. Durante algumas horas por noite, os astrónomos
fotografam o céu com o auxílio de uma camara CCD, de 170 milhões de pixeis,
acoplada ao telescópio de 48 polegadas, localizado no Monte Palomar. É apenas
uma questão de tempo até que uma descoberta venha mudar toda a nossa
percepção dos confins do sistema solar. Sedna aparenta ser um desses casos.
Sedna possui uma surpreendente cor vermelha, sendo Marte um dos
poucos objectos do sistema solar mais vermelho que ele. Este objecto, possui
um grande índice de reflexão e embora a sua composição ainda esteja envolta
em mistério, pensa-se que é constituido por 50% de rocha e 50% de gelo. O que
existe na superfície deste corpo é ainda uma incógnita. Este é muito
diferente daquilo que se podia prever, ou que presentemente podemos explicar.
Existe uma evidência que aponta, possivelmente, para a presença de
uma pequena lua.
Presentemente, Sedna encontra-se a uma distância de 13.5 mil milhões
de quilómetros, e a sua distância ao Sol varia entre as 76 e aproximadamente
900 UA. Uma UA - unidade astronómica - corresponde à distância média
Terra-Sol (150 milhões de quilómetros). Os astrónomos estimam que Sedna
possua dimensões semelhantes às dos maiores objectos da cintura de Kuiper,
embora a sua órbita elongada o coloque numa classe diferente.
Sedna demora 10 500 anos a completar uma órbita em torno do Sol.
Encontrando-se presentemente na parte interior desta, durante os próximos 72
anos, este estará cada vez mais próximo e mais brilhante. A última vez que
Sedna esteve tão próximo do Sol, na Terra a última idade do gelo ainda estava
a terminar.
Para um objecto poder ser considerado um planeta, este tem de ser
considerávelmente mais massivo que todos os restantes objectos na região
circundante. Esse não é o caso de Sedna.
Os astrónomos consideram a possibilidade de que Sedna seja um membro
da parte interior da Nuvem de Oort, a "nuvem de cometas" que se acredita
rodear o sistema solar. O astrónomo Jan Oort foi o primeiro a sugerir a
existência desta região, em 1950, após estudar as órbitas de muitos cometas
de grande período. Embora a existência da nuvem de Oort seja amplamente
aceite, nunca foram detectados directamente quaisquer objectos no seu
interior. Caso se confirme, Sedna poderá ser o primeiro.
Pensa-se que os objectos da Nuvem de Oort se formaram na Cintura de
Kuiper. Estes, terão sido projectados violentamente para fora do sistema
solar devido a interacções gravitacionais com os planetas exteriores, e,
possivelmente devido à passagem de estrelas. Uma pequena fracção destes
objectos terá conseguido manter-se no sistema solar, estabelecendo-se em
órbitas remotas na Nuvem de Oort.
Mesmo à distancia em que está, Sedna encontra-se cerca de dez vezes
mais próximo do Sol do que os astrónomos teriam "colocado" o limite interior
da Nuvem de Oort. Assim, Sedna poderá ser apenas o primeiro de muitos
objectos que serão encontrados nesse limite. Caso se confirme, isso implica
que o limite interior da Nuvem de Oort está mais perto e é mais massivo do
que se pensava.
Pouco após o nascimento do sistema solar, Sedna ficou "armazenado"
num estado de conservação a frio. Pouco alterado pela débil luz solar e por
impactos, este objecto é um dos mais primordiais no sistema solar.
Fotos relacionadas com esta notícia podem ser vistas em:
http://www.astronomy.com/photogallery/gallery_large.asp?idObjectLibraryGUID={
F7D4696D-AAB4-4D56-92A5-6BB956FF085D}
http://www.astronomy.com/photogallery/gallery_large.asp?idObjectLibraryGUID={
92D38F08-9763-4236-9A12-E5F09DCC9A07}
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