[Astronovas] CONSEQUÊNCIAS DA COLISÃO DE GALÁXIAS OBSERVADAS PELO SATÉLITE CHANDRA
astronovas at oal.ul.pt
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Fri Jul 9 19:22:17 WEST 2004
CONSEQUÊNCIAS DA COLISÃO DE GALÁXIAS OBSERVADAS PELO SATÉLITE CHANDRA
O que acontece quando duas galáxias colidem frontalmente? Os astrónomos
acreditam que a resposta a esta pergunta se encontra a apenas 100 milhões de
anos-luz de distância da Terra. Fontes intensas de raios-x imersas numa galáxia
elíptica de magnitude 10, designada por NGC 4261, indicam uma colisão entre
galáxias há muito tempo atrás.
Tal como no cenário de um acidente rodoviário
seguido de fuga, um rasto de detritos cósmicos foi deixado para trás para os
investigadores analisarem.
Com o auxílio da sua "visão" raio-x de alta resolução, o observatório
espacial Chandra reuniu imagens destes destroços de buracos negros e estrelas de
neutrões, espalhados por mais de 50 mil anos luz. Imagens da NGC 4261,
localizada na constelação de Virgem, ja tinham préviamente sido obtidas com o
telescópio espacial Hubble, revelando um buraco negro supermassivo girando no
coração da galáxia.
Porém, o que Chandra observou pela primeira vez, foi a assinatura não óptica de
uma violenta fusão entre duas galáxias, ocorrida há milhares de milhões de anos,
que originou a galáxia que hoje observamos. Enquanto que os vestígios ópticos de
colisões de galáxias desaparecem relativamente depressa, as suas impressões
digitais de raios-x perduram por centenas de milhões de anos.
Imagens da galáxia NGC 4261 podem ser vistas em:
http://www.astronomy.com/photogallery/gallery_large.asp?idObjectLibraryGUID={CDD15811-1C58-46A9-8719-8AF7A8888586}
http://www.astronomy.com/photogallery/gallery_large.asp?idObjectLibraryGUID={1DF82CB4-7D82-4872-B692-3B5DF92F7A00}
Através das imagens ópticas e de rádio, sabia-se que algo de estranho se
passava no núcleo desta galáxia. Porém, nas extremidades desta, estava guardada
uma grande surpresa. Dúzias de buracos negros e estrelas de neutrões
encontram-se enfileirados pelo espaço tal como as pérolas num colar.
A equipa de astrónomos, responsável por estas observações, acredita que
a detecção desta série de fontes de raios-x, revela a destruição de uma pequena
galáxia intrusa. Forças gravitacionais produzidas devido à ruptura desta
galáxia, provavelmente criaram ondas de choque que se movimentaram através da
NGC 4621. Estas ondas de choque criaram grandes rastos que impulsionaram a
formação de estrelas massivas. Muitos destes pesos-pesados evoluiram para
estrelas de neutrões e buracos negros, e aqueles com vizinhos estelares
começaram a brilhar na gama dos raios-x à medida que gás foi sendo sugado em
direcção aos seus enormes poços gravitacionais.
Um dos assuntos que tem vindo a suscitar um grande debate nos ultimos
anos, tem sido o de como as galáxias elípticas se formam. Modelos teóricos,
simulações de computador e imagens ópticas de rastos galácticos, em forma de
conchas, ondulações, arcos e outras estruturas, todas indicam colisões e fusões
de galáxias.
Esta descoberta mostra que observações de raios-x podem ser a melhor
maneira de identificar os restos antigos de fusões entre galáxias. Com 35 horas
de obervações, esta equipa defende que estes dados são a melhor evidência, até
ao momento, do nascimento de galáxias elípticas.
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