[Astronovas] UM SOBREVIVENTE DE UMA SUPERNOVA

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Wed Jun 9 13:58:11 WEST 2004


UM SOBREVIVENTE DE UMA SUPERNOVA 
Pela primeira vez é descoberta uma
estrela companheira por entre o remanescente de uma supernova

As supernovas - os exuberantes fogos-de-artifício que sinalizam a morte
de uma estrela - são cruciais na nossa compreensão do Universo.
Enriquecem o Cosmos com elementos químicos criados nos seus
poderosíssimos "fornos nucleares" e funcionam como luminosos indicadores
da expansão do próprio espaço.
Embora se tenham desenvolvido modelos teóricos acerca do processo da
explosão os astrónomos tiveram sempre muito poucos dados experimentais em
que se pudessem basear.  De facto, quando é observado o brilho resultante
de uma supernova, a estrela já está feita em bocados pela violência da
explosão, deixando apenas vestígios da sua história por entre os
destroços.  Ou assim era tomado como assente.  Observações recentes dos
remanescentes brilhantes de uma supernova revelaram detalhes acerca de
antes da explosão e identificaram pela primeira vez um sobrevivente.

A supernova 1993J foi avistada galáxia espiral M81 na primavera de 1993.
Depois da estrela ter detonado, os observadores usaram imagens anteriores
da galáxia em questão para identificar que estrela tinha explodido na
forma de uma supernova.  Foi identificada uma gigante vermelha massiva
como o infeliz progenitor, mas algo não fazia sentido.  O material
ejectado pela explosão era demasiado rico em hélio para vir apenas da
supernova em si.  Além disso a radiação emitida pela supernova
apresentava um pronunciado pico em brilho que sugeria que algo de incomum
tinha acontecido.

Os astrónomos concluiram rapidamente que para justificar o estranho
comportamento da 1993J a supergigante vermelha deveria ter uma estrela
companheira que podia ter perecido na explosão.

Mas tal ocorreu há mais de uma décdada. Agora, quando os remanescentes da 
explosão se desvanecem no espaço, uma equipa de astrónomos usando em 
conjunto o Hubble Space Telescope Advanced camera for Surveys e o Keck 
Observatory no Hawai vasculharam nos detritos e encontraram uma estrela 
massiva exactamente no sítio previsto para a estrela companheira.

É a primeira vez que uma estrela companheira é encontrada nesta situação.
Podemos dizer que a estrela sobreviveu à explosão da sua vizinha.  Visto
só serem conhecidas duas estrelas progenitoras, este é um passo
importante na compreensão das características das estrelas que explodem
em supernovas.

Com o novo equipamento proporcionado pelo desenvolvimento tecnológico é
possível localizar estrelas que nunca se poderiam identificar
anteriormente.  Os astrónomos tinham ideias claras acerca das condições
que proporcionariam as explosões em supernovas, mas nenhumas provas
observacionais directas.  Agora temos, pela primeira vez, informação
bastante detalhada de modo a compreeendermos a formação das supernovas.
É um passo em frente muito significativo.

Os astrónomos podem não só desvendar o passado de 1993J mas também manter
a zona sob investigação de modo a verificar a evolução num futuro
próximo.  Através da observação da estrela companheira, podemos observar
a formação de uma estrela de neutrões ou de um buraco negro em "tempo
real".  Tal evento absolutamente extraordinário pode tomar lugar nos
próximos 10 anos.

As supernovas produzem muitos dos elementos mais pesados que hidrogénio e
hélio.  Esses elementos estão presentes nas estrelas mais velhas e formam
planetas e vida como a conhecemos.  Os astrónomos precisam de compreender
o que acontece numa explosão para saber qual a quantidade destes
elementos que é produzida e como é que se espalham pela galáxia, sendo
depois reciclados na forma de novas estrelas.

Para além disso as supernovas são uma importante medida de distâncias mas 
para as calibrarmos precisamos de compreender as explosões. As supernovas 
podem então ser usadas para mapear a história do Universo.



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