[Astronovas] A Primeira Luz do Universo?
astronovas at oal.ul.pt
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Tue Dec 20 16:23:08 WET 2005
A Primeira Luz do Universo?
O telescópio espacial Spitzer poderá ter obtido imagens das primeiras estrelas
do Universo, permitindo o vislumbre de uma era há mais de 13 mil milhões de
anos, quando o brilho do Big Bang se desvaneceu. Uma observação de 10 horas,
efectuada com o auxílio da câmara de infravermelhos do Spitzer, revelou a
presença de radiação de infravermelho na constelação do Dragão. Pensa-se que
esta radiação seja proveniente das primeiras estrelas, com mais de 100
vezes a massa do nosso Sol. Estas sobreviveram por apenas uns escassos milhões
de anos antes de explodirem naqueles que foram os primeiros eventos de
supernovas.
Depois de a matéria incandescente remanescente do Big Bang ter arrefecido e o
Universo passar a ser transparente à radiação, surgiram as primeiras estrelas e
galáxias, entre outras estruturas celestes que conhecemos hoje.
A luz identificada pode ser proveniente das primeiras estrelas ou, talvez de
gases quentes em queda para os primeiros buracos negros. A equipa que realizou
a descoberta descreve as imagens obtidas como a da iluminação nocturna de uma
cidade distante, quando vista de avião. A luz é demasiado débil e está
demasiado distante para que se possa resolver objectos individuais.
Pensa-se que o que se está a observar será a luz colectiva proveniente de
milhões dos primeiros objectos a formarem-se no Universo.
Os objectos que emitiram esta luz desapareceram há uma enorme quantidade de
tempo e, ainda assim, a sua luz continua a viajar através do Universo.
Para ver uma ilustração artística do Universo jovem, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/varios/primeiraluz.jpg
As nossas teorias apontam que o tempo, espaço e a matéria surgiram há 13.7 mil
milhões de anos no Big Bang. Mais de 200 milhões de anos passaram antes do
início da emissão de radiação por parte das estrelas.
A emissão detectada pela câmara de infravermelhos do Spitzer apresenta uma
energia mais baixa que é correpondente à radiação óptica, sendo assim
invisível ao olho humano. A equipa de investigadores defende que a radiação é
emitida por estrelas pertencentes à População tipo III, uma classe estelar
nunca encontrada e que se assume como tendo sido formada antes das de tipo I e
II, que observamos hoje em dia.
Os modelos teóricos apontam para que as primeiras estrelas existentes tenham
possuído mais de 100 vezes a massa do Sol. Estas estrelas deviam ser muito
quentes e brilhantes e devem ter vivido por um período de apenas uns poucos
milhões de anos. A radiação ultravioleta que a População tipo III emitiu teria
sofrido um desvio para o vermelho devido à expansão do Universo. Actualmente,
deveria ser possível detectar essa radiação no infravermelho.
A imagem obtida pelo Spitzer estava repleta de estrelas e galáxias de
aspecto familiar. Removendo todas estas estrelas e galáxias, próximas e
distantes, obteve-se uma imagem de parte do céu desprovida de corpos familiares,
mas ainda com uma radiação infravermelha que se julga ser a radiação
proveniente das primeiras estrelas.
Esta descoberta está de acordo com observações passadas, efectuadas pelo
satélite Cosmic Background Explorer (COBE) e pela sonda Wilkinson Microwave
Anisotropy, da NASA. Estas sugeriam respectivamente, a existência de uma
radiação infravermelha de fundo que não poderia ser atribuida às estrelas
conhecidas, e a estimativa de que as primeiras estrelas teriam aparecido 200 a
400 milhões de anos após o Big Bang.
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