[Astronovas] ESTRELAS VELHAS E EXPLOSÕES CÓSMICAS MISTERIOSAS
astronovas at oal.ul.pt
astronovas at oal.ul.pt
Thu Dec 29 15:53:37 WET 2005
ESTRELAS VELHAS E EXPLOSÕES CÓSMICAS MISTERIOSAS
As explosões de raios-gama, as explosões mais poderosas no Universo, ocorrem
várias vezes por dia e possuem o brilho extremo de biliões de Sóis.
No entanto estas explosões não são criadas da mesma forma. Há várias décadas que
os astrónomos sabem da existência de dois tipos de explosões de raios-gama: os
de longa duração, que duram algumas dezenas ou centenas de segundos, e os de
pequena duração, que duram entre uns poucos milisegundos a um segundo.
Na última década, investigações intensas mostraram que as explosões de longa
duração são o "grito" de morte de estrelas massivas em jovens galáxias distantes
que contêm estrelas em formação. No entanto, a origem das explosões curtas tem
permanecido envolta em mistério até agora.
Recentemente, foi efectuado um estudo que pela primeira vez localizou com
precisão uma explosão de raios-gama curta proveniente de uma velha galáxia
morta, o que implica que a fonte destas explosões será uma população de estrelas
de neutrões velhas.
Até agora, não havia ideia de que tipo de objecto produzia estas explosões, e se
estas tinham origem em galáxias próximas ou nos confins do Universo.
Agora, depois de terem iludido a comunidade científica durante anos, foi
finalmente descoberto que tipo de objectos dão origem a estas explosões.
Como as explosões de raios-gama curtas são mais débeis que as de longa duração,
tem sido particularmente difícil localizá-las. Agora, com o auxílio do satélite
Swift juntamente com telescópios terrestres, o cenário mudou. O Swift ao
detectar explosões de raios-gama, alerta os atrónomos que rápidamente dirigem os
telescópios terrestres na direcção da explosão para captar o brilho débil
remanescente da mesma - os restos moribundos que brilham durante horas ou dias
depois da explosão.
Neste estudo, a equipa que descobriu o brilho remanescente, monitorizou-o nos
comprimentos de onda do rádio, óptico e infravermelhos. Para o efeito,
recorreram ao Observatório de Las Campanas, no Chile e ao Very Large Array
(VLT), no México. Seguindo a explosão (GRB 050724), localizada pelo Swift em 24
de Julho, foi possível descobrir que a emissão provinha de uma antiga gáláxia
elíptica, relativamente próxima de nós (3,5 mil milhões de anos-luz).
Para ver uma imagem da galáxia e da explosão, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/expraios.jpg
Podemos observar imagens no infravermelho, da galáxia anfitriã (a vermelho) e da
explosão de raios-gama curta (a azul).
Enquanto que as explosões de raios-gama de longa duração resultam da morte de
uma estrela de massa elevada, com apenas alguns milhões de anos de idade, o
facto de as explosões curtas ocorrerem numa galáxia elíptica velha, que não
forma novas estrelas há vários milhares de milhões de anos, sugere que a
população que dá origem a estas explosões é completamente diferente.
Os cientistas suspeitavam há muito que as explosões curtas de raios-gama são o
produto final de uma classe de estrelas binárias composta por duas estrelas de
neutrões velhas, ou uma estrela de neutrões e um buraco negro, que se aproximam
lentamente um do outro à medida que as suas órbitas diminuem ao longo de
centenas de milhões de anos. Este processo resulta da emissão de ondas
gravitacionais, uma das principais previsões da teoria da relatividade geral, de
Einstein. Eventualmente os objectos ficarão tão próximo um do outro, que se
desfazem um ao outro numa explosão cataclismica.
Como a GRB 050724 é a primeira explosão de raios-gama curta a ser detectada ao
longo do espectro electromagnético, o estudo revela que a energia produzida na
explosão foi dirigida para fora, em jactos estreitos, semelhantes aos que são
observados em muitas explosões de longa duração, embora com uma energia mil
vezes menor.
Há anos que se simulavam em computador explosões resultantes da colisão de
estrelas de neutrões. Ao comparar os resultados destas simulações com os dados
obtidos, os cientistas ficaram muito satisfeitos por verem que algumas das suas
previsões foram validadas.
O próximo passo no estudo das explosões curtas será localizar e estudar um
grande número destes objectos.
More information about the Astronovas
mailing list