[Astronovas] APESAR DE ENVELHECIDO, O UNIVERSO PODE ESTAR A GERAR NOVAS GALÁXIAS

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Mon Jan 10 14:38:42 WET 2005


APESAR DE ENVELHECIDO, O UNIVERSO PODE ESTAR A GERAR NOVAS GALÁXIAS

        O satélite Galaxy Evolution Explorer, da NASA, detectou o que parecem
ser galáxias bébés de grande massa no nosso canto do universo.  Anteriormente,
os astrónomos pensavam que a frequência de nascimentos no universo tinha
decaído dramaticamente, e apenas pequenas galáxias se estariam a formar.

        Sabia-se já da existência, há eras atrás, de galáxias jovens bastante
massivas, mas pensava-se que todas elas tinham evoluído tornando-se mais
velhas como a Via Láctea.  Se estas galáxias são de facto recém-formadas, isto
implica que partes do universo são ainda lugares propícios ao nascimento de
galáxias.

         A equipa responsável por esta revelação, descobriu mais de 36
galáxias, compactas e brilhantes, que se assemelham em muito às jovens
galáxias de há mais de 10 mil milhões de anos.  A distãncia dos novos objectos
está compreendida entre os 2 e os 4 mil milhões de anos luz, o que implica que
estas se localizam, relativamente, perto de nós.  A sua idade poderá estar
compreendida entre os 100 milhões e os mil milhões de anos.  A Via Láctea tem
aproximadamente 10 mil milhões de anos.

        Esta descoberta recente, sugere que o nosso universo, em
envelhecimento, ainda transborda juventude, fornecendo aos astrónomos uma
visão de relance de como provavelmente seria o aspecto da nossa galáxia na sua
infância.  Agora, pode-se estudar em maior pormenor os ancestrais de galáxias
muito semelhantes à Via Láctea.  É como descobrir um fóssil vivo no nosso
quintal.  Pensava-se que este tipo de galáxias estaria extinto, mas de facto
as galáxias recém-nascidas estão vivas e de boa saúde no universo.

          As galáxias recém descobertas, são de um tipo designado por galáxias
luminosas no ultra-violeta.  Estas foram descobertas após o Galaxy Evolution
Explorer ter examinado uma grande porção do céu com os seus detectores
sensíveis à luz ultra-violeta.  Como as estrelas jovens emitem a maioria da
sua radiação em comprimentos de onda na banda dos ultra-violeta, as galáxias
jovens surgem aos "olhos" do observatório espacial como diamantes num campo de
pedras.  Os astrónomos já tinham minado o universo à procura destas gemas
raras, mas terão falhado pois não eram capazes de examinar uma "fatia"
suficientemente grande do céu.

        O Galaxy Evolution Explorer prescrutou milhares de galáxias antes de
encontrar estas poucas dúzias de luz ultra-violeta.  Estas são 10 vezes mais
brilhantes, no comprimento de onda dos ultra-violeta, que a Via Láctea.  Isto
indica que estas galáxias possuem, em abundância, regiões violentas de
formação estelar e de supernovas, que é característico em galáxias jovens.

         Na sua juventude, o universo possuia um irromper regular de galáxias
massivas.  Com o tempo, este foi ostentando cada vez menos proles galácticas,
e as suas galáxias recém-nascidas evoluiram para outras que se assemelham à
nossa.  Até agora, os astrónomos pensavam que tinham visto a última destas
gigantes bébés.

Veja o esquema em:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/timeline-516.jpg
Neste esquema, as galáxias recém-nascidas estão representados por círculos 
brancos (aparecendo quase só numa época recente do Universo) enquanto as
galáxias mais maduras estão representadas por espirais (que aparecem na época
actual do Universo na zona direita do diagrama).

Veja também a animação de uma galáxia jovem repleta de estrelas jovens, muito 
quentes e de explosões de supernovas, em:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/Galex_newGalaxy.mov

         O Galaxy Evolution Explorer foi lançado em 28 de Abril de 2003.  A
sua missão é estudar a forma, brilho, dimensões e distância de galáxias ao
longo de 10 mil milhões de anos de história cósmica.  O telescópio de 50 cm de
diâmetro do Explorer, vasculha o céu em busca de fontes de luz ultra-violeta.




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