[Astronovas] SUPERFÍCIE DE TITÃ REVELADA PELA PRIMEIRA VEZ EM IMAGENS SURPREENDENTES
astronovas at oal.ul.pt
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Tue Jan 18 14:33:42 WET 2005
SUPERFÍCIE DE TITÃ REVELADA PELA PRIMEIRA VEZ EM IMAGENS SURPREENDENTES
No dia 14 de Janeiro a sonda europeia Huygens chegou a Titã, o maior
satélite de Saturno e única lua do Sistema Solar que possui uma atmosfera
densa. Nesse dia foi transposta uma meta histórica da exploração do
Sistema Solar, pois foi a primeira vez que um engenho humano pousou em
solo do sistema saturniano.
A sonda Huygens possuía seis instrumentos científicos destinados ao estudo
da atmosfera e da superfície de Titã, assim como à determinação da
velocidade dos ventos e à captura de imagens durante a descida e em volta
do local de aterragem.
As imagens até agora divulgadas pela Agência Espacial Europeia mostram uma
paisagem completamente nova e cuja análise, em conjunto com outros dados,
vai ensinar-nos muito sobre os processos em acção à superfície e na
atmosfera.
As primeiras imagens podem encontrar-se em:
http://www.esa.int/esaCP/index.html
http://esamultimedia.esa.int/images/cassini_huygens/huygens_land/esa_release_050117_H.jpg
Até aqui a imagem mais recente a ser divulgada, este mosaico de 30
fotografias obtidas entre os 13 e os 8 km de altitude mostra uma zona de
cerca de 30 km em redor do local onde a sonda acabaria por aterrar. Embora
a constituição das zonas claras e escuras ainda seja ponto de debate, esta
é claramente uma zona de grande diversidade de terrenos.
http://esamultimedia.esa.int/images/cassini_huygens/huygens_land/landing_03_H.jpg
Esta foi uma das primeiras imagens a serem divulgadas. A 16 km de
altitude, mostra o que parece ser uma rede de canais de drenagem na
proximidade de uma linha de costa.
A escala é de 40 metros por ponto da imagem, pelo que a largura do canal
principal, à esquerda, é de mais de 100 metros.
http://esamultimedia.esa.int/images/cassini_huygens/huygens_land/Picture2.jpg
A cerca de 8 km de altitude, esta imagem mostra já algum relevo, podendo
distinguir-se terreno elevado, mais claro, cortado por canais escuros, e
uma zona baixa mais escura, em baixo. A escala é de 20 metros por ponto da
imagem.
http://esamultimedia.esa.int/images/cassini_huygens/huygens_land/Picture3.jpg
Esta imagem é um mosaico de 11 fotografias tiradas a 8 km de altitude, que
dá uma visão de panorama de 360 graus. A orla branca, na parte superior
esquerda pode ser névoa de metano ou etano. Para lá dela parece existir
algum relevo.
Pensa-se ser o etano um dos principais produtos de reacções químicas na
atmosfera de Titã. O metano (2%) e o azoto (com 98%) são os principais
componentes da atmosfera. O metano e o etano são compostos que, à
temperatura e pressão da superfície, são líquidos.
http://esamultimedia.esa.int/images/cassini_huygens/huygens_land/Picture7.png
Primeira imagem a cores da superfície de Titã, esta fotografia mostra
pequenos blocos de gelo com dimensões de cerca de 15 cm. Um dos blocos (em
baixo à esquerda) está fracturado e todos mostram sinais de erosão na
base, o que pode indicar uma zona de actividade fluvial. A cor alaranjada
deve-se a partículas microscópicas em suspensão na atmosfera, as quais se
depositam continuamente à superfície.
Estas imagens e a ausência de crateras visíveis nas imagens obtidas pela
sonda Cassini, durante os recentes sobrevoos de 26 de Outubro e 13 de
Dezembro indicam que a superfície de Titã está ou esteve no passado
geológico recente sujeita a processos erosivos. A natureza destes
processos está ainda por estabelecer, embora haja fortes indícios da
ocorrência de fluidos à superfície (metano e etano líquidos). A hipótese
de água líquida à superfície está posta de parte.
A missão Cassini-Huygens é uma missão conjunta da NASA, da Agência
Espacial Europeia, e da Agência Espacial Italiana. Lançada em Outubro de
1997 e em preparação há 23 anos, a chegada a Saturno deu-se em 1 de Julho
de 2004. A sonda Huygens, de construção europeia, separou-se da Cassini em
25 de Dezembro, tendo esta continuado a orbitar Saturno. A Huygens foi
assim posta em trajectória de colisão com Titã, mas estava equipada com um
escudo térmico, baterias e três pára-quedas para resistir à viagem e
chegar em segurança à superfície. Quase todos os instrumentos existiam em
duplicado para evitar perdas de dados em caso de avarias.
A sonda Huygens foi concebida para aterrar igualmente bem numa superfície
líquida ou sólida. A consistência do solo no local de aterragem, analisada
por um conjunto de instrumentos para o estudo da superfície, parece ser
semelhante à da argila mole ou areia molhada, disse aos jornalistas o
Prof. John Zarnecki, da Open University. Isto indica que a sonda não
aterrou em gelo puro, que é duro como rocha à temperatura de -180 graus C
da superfície. O globo de Titã, à semelhança das outras luas de Saturno, é
formado por uma mistura de gelo e rocha, mas esta última deve encontrar-se
no seu centro.
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