[Astronovas] MANCHAS QUENTES OBSERVADAS EM ESTRELAS DE NEUTRES
astronovas at oal.ul.pt
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Thu Jun 9 19:34:54 WEST 2005
"MANCHAS QUENTES" OBSERVADAS EM ESTRELAS DE NEUTRÕES
Dados provenientes do obsevatório espacial XMM-Newton, da ESA, permitiram aos
astrónomos europeus observarem pela primeira vez "manchas quentes" em rotação
nas superfícies de três estrelas de neutrões próximas.
Este resultado oferece um novo caminho para a compreensão da "geografia térmica"
das estrelas de neutrões, providenciando também a primeira medição de feições de
dimensões muito reduzidas num objecto a centenas de milhar de anos-luz de
distância. As dimensões das "manchas quentes" variam entre as de um campo de
futebol e de um campo de golfe.
As estrelas de neutrões são muito densas, compostas essencialmente por neutrões
e possuem um período de rotação muito pequeno. Quando nascem, estas estrelas são
extremamente quentes, visto serem os vestígios de supernovas. Pensa-se que a
temperatura das suas superfícies arrefece gradualmente com o tempo, baixando
para menos de um milhão de graus ao fim de 100 000 anos.
No entanto, os astrofísicos propuseram a hipótese da existência de mecanismos
físicos através dos quais a energia electromagnética emitida pelas estrelas de
neutrões possa convergir novamente, em certas regiões, para as suas superfícies.
Estas regiões, também designadas por "manchas quentes", seriam então reaquecidas
atingindo temperaturas muito superiores às do resto da superfície em
arrefecimento.
Embora tenha sido especulada, nunca tinha sido possível observar directamente
esta "geografia térmica" peculiar das estrelas de neutrões.
Com o auxílio dos dados do XMM-Newton, uma equipa de astrónomos europeus
observaram "manchas quentes" em rotação em três estrelas de neutrões isoladas
que se sabia bem serem emissoras de raios-X e raios-gama. Estes três objectos
observados são designados por "PSR B0656-14", "PSR B1055-52", e "Geminga",
encontrando-se respectivamente à distância de 800, 2000 e 500 anos-luz.
Para ver a imagem de uma destas estrelas consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/hotspot.jpg
Podemos ver no centro da imagem de raios-X, obtida pelo observatório XMM-Newton,
a estrela de neutrões "Geminga".
Tal como nas estrelas normais, a temperatura das estrelas de neutrões é medida
através da sua cor, que indica a energia que a estrela emite. Os astrónomos
dividiram as superfícies das estrelas de neutrões em dez regiões, medindo a
temperatura de cada uma. Ao fazerem isto, à medida que as "manchas quentes"
apareciam e desapareciam enquanto a estrelas rodava, os astrónomos puderam
observar o aumento e decréscimo de emissão da superfície de cada estrela. É
também a primeira vez que detalhes de superfície com dimensões compreendidas
entre os 100 metros e aproximadamente um quilómetro são identificadas na
superfície de objectos à distância de centenas de milhar de anos-luz.
A equipa de astrónomos pensa que as "manchas quentes" estão muito provavelmente
relacionados com as regiões polares das estrelas de neutrões. É nestas regiões
que o campo magnético da estrela converge novamente as partículas carregadas em
direcção à superfície, num processo de alguma maneira semelhante às auroras
boreais (Norte) e austrais (Sul), observadas nos polos dos planetas que possuem
campos magnéticos, tal como a Terra, Júpiter e Saturno.
Estes resultados, além de serem os primeiros desta natureza, são também a chave
para a compreensão da estrutura interna, do papel dominante do campo magnético
que permeia o interior da estrela e a sua magnetoesfera, e a fenomenologia
complexa das estrelas de neutrões.
Isto foi possível unicamente devido às novas capacidades providenciadas pelo
observatório XMM-Newton, da ESA. Espera-se aplicar este método a muitas outras
estrelas de neutrões magnéticamente isoladas.
No entanto, existe ainda um puzzle para os astrónomos. Se se prevê que estes
três "mosqueteiros" possuam polos de dimensões semelhantes, porque é que as
"manchas quentes" observadas nos três casos são tão distintas em tamanho,
variando entre os 60 metros e um quilómetro? Que mecanismos causam esta
diferença? Ou será que isto significa que algumas das previsões actuais para os
campos magnéticos das estrelas de neutrões têm de ser revistos?
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