[Astronovas] A JOGAR ÀS ESCONDIDAS NO COSMOS

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Mon Jun 20 14:49:06 WEST 2005


A JOGAR ÀS ESCONDIDAS NO COSMOS

Em 1987, foi observada a partir da Terra a explosão de uma estrela na galáxia 
anã Grande Nuvem de Magalhães. Os astrónomos estudaram ávidamente esta 
supernova, a mais próxima observada nos últimos 300 anos, continuando a examinar 
os seus restos. Embora a onda de choque originada pela supernova tenha iluminado 
as nuvens de gás e poeira circundantes, a explosão parece não ter deixado nenhum 
núcleo. Os astrónomos dizem que mesmo com o "olhar" nítido do telescópio 
espacial Hubble não foi possível localizar o buraco negro ou a estrela de 
neutrões ultracompacta, que se acredita ter sido formada pela morte da estrela 
há 18 anos.

Onde se encontra pois a estrela de neutrões desaparecida?

Quando uma estrela de massa elevada explode, esta deixa para trás uma espécie de 
objecto compacto, quer seja uma esfera constituída por partículas subatómicas de 
dimensões de uma cidade, designada por estrela de neutrões, ou um buraco negro. 
O resultado depende da massa da estrela inicial, da estrela que explodiu. 
Estrelas pequenas formam estrelas de neutrões enquanto que estrelas maiores 
formam buracos negros.

A estrela mãe que deu origem à supernova (SN) 1987A possuia 20 vezes a massa 
do Sol, colocando-a exactamente na linha divisória e deixando os astrónomos na 
incerteza de qual o tipo de objecto compacto que terá sido produzido por esta 
explosão. Todas as observações realizadas até à data falharam na detecção de uma 
fonte de luz no centro dos despojos da supernova, deixando no ar a questão por 
responder.

Para ver uma imagem da supernova SN 1987A obtida pelo Hubble consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/ondeesta.jpg

A detecção de um buraco negro ou de uma estrela de neutrões constitui sempre 
um desafio. Um buraco negro pode ser detectado apenas quando "engole" matéria - 
à medida que a matéria vai caindo para o centro do buraco negro, esta aquece e 
emite radiação. Uma estrela de neutrões a uma distância equivalente à da Grande 
Nuvem de Magalhães apenas é detectada quando emite feixes de radiação como um 
pulsar, ou quando atrai matéria quente como o buraco negro.

Uma estrela de neutrões pode estar localizada dentro da SN 1987A, sem estar 
a atrair matéria e sem emitir radiação suficiente para ser observada.

Observações efectuadas puseram de parte a possibilidade da existência de um 
pulsar no interior da (SN) 1987A. Mesmo que os feixes do pulsar não estivessem 
"apontados" à Terra, eles iluminariam as nuvens de gás circundantes.
No entanto, as teorias prevêm que após uma explosão de uma supernova, um pulsar
pode levar entre 100 a 100 000 anos a formar-se, pois a estrela de neutrões tem 
de criar um campo magnético suficientemente forte para despoletar os feixes. A 
SN 1987A poderá ser muito nova para possuir um destes objectos.

Como resultado, a única maneira de os astrónomos detectarem o objecto central 
seria procurando evidências de matéria a cair para uma estrela de neutrões ou um 
buraco negro. Esta acreção poderia realizar-se de duas maneiras: numa acreção 
esférica na qual a matéria cai vinda de todas as direcções, ou numa acreção de 
disco na qual a matéria proveniente de um disco em torno do objecto compacto 
move-se em espiral em direcção a ele. 

Os dados do Hubble puseram de parte a acreção esférica devido ao facto de a 
luz resultante desse processo, se ocorresse, ser suficientemente intensa para
ser detectada, o que não se verifica. Se uma acreção de disco está em decurso, a 
luz que esta produz é muito débil, o que significa que o disco em si terá pouca 
massa e uma extensão radial pequena.
A falta de radiação detectável também indica que a taxa à qual a acreção de 
disco ocorre é extremamente pequena - menor que cerca de 1/5 vezes a massa da 
Lua por ano.

Na ausência de uma detecção definitiva, os astrónomos esperam aprender mais 
acerca do objecto central estudando as nuvens de poeira que o circundam. Esta 
poeira absorve a luz visível e ultravioleta e volta a radiar a energia no 
comprimento de onda dos infravermelhos.

Estudando esta luz "reprocessada", espera-se encontrar o que está a fornecer 
energia aos despojos da supernova iluminando assim as poeiras. Observações 
futuras a realizar pelo telescópio espacial Spitzer, da NASA, deverão 
providenciar novas pistas para a natureza do objecto escondido.

Observações adicionais do Hubble também poderão auxiliar à resolução deste 
mistério. O Hubble é o único observatório existente com a capacidade de 
resolução e sensibilidade requeridas para o estudo deste problema.





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