[Astronovas] MEDINDO A MASSA DE UMA ESTRELA

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Sat Mar 19 07:00:00 WET 2005


MEDINDO A MASSA DE UMA ESTRELA


Uma equipa internacional de astrofísicos mediu a massa de uma pequena estrela 
jovem que se encontra num sistema binário. O resultado mostra que esta é mais 
"pesada" do que era esperado, e coloca enormes problemas para as teorias de 
evolução das estrelas de pequena massa.
  
Ao contrário do que acontece na maior parte das ciências, os astrofísicos apenas 
podem contar com a luz que nos chega dos astros para determinar as suas 
propriedades. Assim, calcular a massa de um outro "sol" não é uma tarefa 
trivial.
Quando uma estrela se encontra isolada, a determinação da sua massa tem de 
passar por um processo, nada isento de erros, de comparação do seu brilho, ou 
luminosidade, e da sua cor (que indica a temperatura), com os valores esperados 
pelos modelos teóricos.
  
Mas se uma estrela se encontra num sistema binário, a determinação precisa da 
sua massa pode ser um processo bastante mais simples. Para tal, temos de ser 
capazes de observar a trajectória que as duas estrelas percorrem, uma em torno 
da outra. O estudo deste movimento pode indicar-nos, numa situação favorável, a 
massa das duas estrelas. Infelizmente, quando as duas estrelas têm uma diferença 
de brilho muito significativa, a observação da estrela mais "fraquinha" pode ser 
uma tarefa muito complicada, já que esta é ofuscada pelo brilho da sua 
companheira. Observar um sistema destes implica assim o uso de técnicas 
altamente sofisticadas.

Foi exactamente isso que uma equipa de astrofísicos fez agora. Utilizando a 
câmara de grande contraste NACO SDI de um dos quatro telescópios de 8.2-m do 
VLT, os astrónomos tiraram imagens de grande resolução da estrela AB Dor A. 
Desde a década de 1990 que se pensava que esta estrela, com apenas 50 milhões de 
anos de idade, deveria ter um companheiro de massa mais pequena. Este tinha sido 
detectado indirectamente pelas perturbações que causa na estrela principal. Mas 
as imagens da AB Dor A, agora recolhidas com o VLT, permitiram pela primeira vez 
observar directamente o companheiro (AB Dor C), bem como medir o seu brilho, cor 
e posição. Combinando esta informação com outros dados sobre a estrela AB Dor A, 
os astrofísicos puderam determinar com grande precisão a massa da pequena 
estrela, cerca de 100 vezes menos brilhante que a estrela principal. O resultado 
mostra que a AB Dor C tem o equivalente a 93 vezes a massa de Júpiter 
(aproximadamente 0.09 vezes a massa do Sol).
 
Para ver uma imagem deste sistema binário, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/ABDorC.jpg

Na imagem temos o sistema formado pela estrela AB Dor A (azul) com a pequena 
estrela AB Dor C ao seu lado (pequeno ponto avermelhado). A órbita da estrela C 
em torno da A é indicada pela linha a ponteado. Esta fantástica observação 
equivale a sermos capazes de distinguir dois objectos que se encontram separados 
de 1cm um do outro quando estamos a uma distância de 20km. Cortesia ESO. 
  
A grande surpresa chegou quando os astrofísicos compararam o brilho da estrela 
com aquele que era esperado segundo os modelos para uma estrela com a sua massa 
e idade. Os resultados mostram que a AB Dor C é cerca de 2,5 vezes menos 
brilhante do que o esperado.
  
A consequência desta descoberta pode ter implicações em vários estudos. Em 
particular, nos últimos anos têm sido descobertos vários objectos isolados e de 
muito pequena massa em zonas de formação estelar. A partir do seu brilho, os 
astrofísicos têm concluído que eles terão a massa de um planeta gigante. Estes 
corpos receberam mesmo a alcunha de "planetas flutuantes". Mas com base nas 
observações da AB Dor C, estes objectos devem ter uma massa superior à 
anteriormente deduzida.




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