[Astronovas] PLANETA DISTANTE FAZ ASTRÓNOMOS SENTIREM-SE EM CASA

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Wed Feb 15 19:19:26 WET 2006


PLANETA DISTANTE FAZ ASTRÓNOMOS SENTIREM-SE EM CASA

Com o auxílio de uma rede de telescópios espalhados pelo globo, uma equipa de 
astrónomos descobriu um novo planeta extrasolar designado por 
OGLE-2005-BLG-390Lb. Com apenas cinco vezes a massa da Terra, este planeta 
assemelha-se mais à Terra do que qualquer outro encontrado até à data.

A uma distância de aproximadamente 20 mil anos-luz, não muito distante do centro 
da Via Láctea, o planeta orbita, com um período de 10 anos, uma anã vermelha com 
cinco vezes menos massa que o Sol. Além de ser o exoplaneta com menor massa 
detectado até hoje em torno de uma estrela "vulgar", é também o mais frio. A sua 
estrela anfitriã, relativamente fria, e a sua órbita afastada implica que a 
temperatura da sua superfície seja provavelmente de -220 graus Celsius, o que 
exclui a possibilidade da existência de água no estado líquido à superfície.

Acredita-se que este planeta possua uma fina atmosfera, tal como a Terra, e que 
tenha uma superfície rochosa que provavelmente estará enterrada sobre grandes e 
fundos oceanos gelados. Como tal, este planeta poderá assemelhar-se mais a uma 
versão de Plutão, do que aos planetas rochosos interiores do sistema solar, tais 
como a Terra e Vénus.

Para ver uma ilustração artística do exoplaneta e da sua estrela anfitriã, 
consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/planetas/explan.jpg

O exoplaneta descoberto é o primeiro e único a estar de acordo com as teorias de
como o nosso sistema solar se formou.  A teoria, mais aceite nos dias de hoje,
para a formação de sistemas planetários sugere que os núcleos planetários foram
formados a partir da agregação de pequenos pedaços de material rochoso
(planetesimais). Se o núcleo possuir massa suficiente, começaria a reter gás
proveniente do disco planetário, formando assim os planetas gigantes.  Em torno
de anãs vermelhas, as estrelas mais comuns na nossa galáxia, este modelo
favorece a formação de planetas com massas compreendidas entre a da Terra e a de
Neptuno, à distância de 1-10 unidades astronómicas da sua estrela anfitriã.

O OGLE-2005-BLG-390Lb, foi detectado usando o método das "microlentes 
gravitacionais". Esta técnica é baseada num efeito previsto pela teoria da 
relatividade geral de Einstein. A gravidade de uma estrela actua como um 
telescópio gigante natural que amplia o brilho uma estrela mais distante, a qual 
temporáriamente vai parecer mais brilhante. Se a estrela que actua como uma 
lente possui um planeta a orbitá-la, então a gravidade deste também causa um 
aumento de brilho na estrela de fundo originando uma variação adicional no 
brilho desta.

Esta descoberta trouxe uma nova visão à área da ciência planetária.
Em particular, os astrónomos pensam agora que mundos gelados como este são muito 
mais comuns do que os seus irmãos de maiores dimensões, semelhantes a Júpiter. 
Se estes planetas gigantes fossem tão comuns como se pensava, com o auxílio do 
método das "microlentes gravitacionais", os astrónomos teriam já descoberto 
dúzias destes objectos. 

Esta técnica é provavelmente o único método actual capaz de detectar planetas 
semelhantes à Terra. A procura de uma segunda Terra é a razão por detrás da 
pesquisa efectuada por esta equipa de astrónomos. Esta descoberta constitui um 
grande salto em frente nesta jornada, pois este é o planeta mais semelhante à 
Terra encontrado até ao momento.





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