[Astronovas] UM MAR DE VIDRO EM GALÁXIAS EM COLISÃO

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Mon Feb 27 16:04:59 WET 2006


UM MAR DE VIDRO EM GALÁXIAS EM COLISÃO

Com o auxílio do telescópio espacial Spitzer, uma equipa de astrónomos observou 
uma população rara de galáxias em colisão cujos corações emaranhados, estão 
envoltos por pequenos cristais que se assemelham a pedaços de vidro.

Estes cristais são compostos essencialmente por silicatos (areia), grãos que se 
formaram de forma semelhante ao vidro, provavelmente no equivalente estelar das 
fornalhas. Esta é a primeira vez que cristais de silicato foram detectados numa 
outra galáxia que não a nossa.

Os cientistas ficaram surpreendidos ao descobrir cristais pequenos e delicados
no centro de um dos locais mais violentos do Universo.  Os cristais com estas
características são geralmente facilmente destruidos. Mas neste caso, estão
provavelmente a ser criados por estrelas moribundas, de grande massa, a um ritmo
maior do que aquele a que se dá a sua destruição.

Esta descoberta ajudará os astrónomos a compreender melhor a evolução das
galáxias, incluindo a Via Láctea, que daqui a uns milhares de milhões de anos se
fundirá com a sua vizinha Andrómeda.

A equipa de astrónomos diz que é como se uma enorme tempestade de areia
estivesse a ocorrer no centro de galáxias em colisão. Os silicatos envolvem os
núcleos das galáxias na forma de "cobertores" gigantes de vidro poeirento. 
O que presenciamos é análogo à colisão de duas carrinhas cheias de farinha.
Quando isto acontece, uma nuvem de poeira branca é temporáriamente levantada.  
O Spitzer detectou uma nuvem temporária de silicatos cristalizados, criada 
aquando da colisão entre duas galáxias.

Para ver uma concepção artística da região atribulada do núcleo de duas galáxias 
em colisão com os cristais espalhados através deste, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/cristais.jpg

Podemos observar a verde os cristais de silicato.  As regiões a branco
representam uma população vigorosa de estrelas de todos os tamanhos e idades.

Os silicatos como o vidro, requerem temperaturas elevadas para se transformarem 
em cristais. Estas partículas podem ser encontradas em quantidades limitadas na 
Via Láctea, em torno de certos tipos de estrelas, como o Sol. Na Terra, estes 
cristais reluzem na areia das praias, e à noite podem ser observados a colidir, 
juntamente com outros materiais, na nossa atmosfera na forma de meteoros.
Este tipo de cristais, foram também encontrados no interior do cometa Temple 1, 
com o qual a sonda "Deep Impact" colidiu.

As galáxias revestidas por cristais observadas pelo Spitzer, são bastante
diferentes da Via Láctea.  Estas galáxias brilhantes e poeirentas, designadas
por galáxias infravermelhas ultraluminosas, encontram-se a "nadar" em cristais
de silicato.  Embora uma pequena fracção destas galáxias não possa ser observada
com clareza suficiente para serem caracterizadas, a maioria destas consiste em
duas galáxias em espiral no processo de fusão uma com a outra.  Os seus núcleos
misturados são locais de grande agitação, onde frequentemente são criadas
estrelas de grande massa.  No centro de algumas destas galáxias ultraluminosas
estão buracos negros possuidores de uma enorme quantidade de massa.

De onde vêm então todos os cristais? Os astrónomos acreditam que as estrelas de 
grande massa, no centro destas galáxias, são as principais "fábricas" destes 
materiais. Os cristais são provavelmente ejectados pelas estrelas, antes e após 
estas explodirem como supernovas. No entanto, as partículas provenientes da 
explosão acabarão por bombardear e converter os delicados cristais de volta a um 
estado disforme. Pensa-se que todo este processo seja de curta duração.

O espectrógrafo de infravermelhos do Spitzer detectou cristais de silicatos em
21 das 77 galáxias infravermelhas ultraluminosas estudadas.  As distâncias
destas 21 galáxias estão compreendidas entre os 240 milhões e os 5,9 mil milhões
de anos-luz.  Espalhadas pelo céu, estas galáxias foram provavelmente detectadas
no momento apropriado para se poder observar os cristais.  As poeiras
silicatadas nas outras 56 galáxias restantes poderão já ter assentado, ou
poderão estar prestes a ser "levantadas".





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