[Astronovas] A PRIMEIRA IMAGEM DE UM QUASAR QUÍNTUPLO

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Fri Jun 9 16:06:24 WEST 2006


A PRIMEIRA IMAGEM DE UM QUASAR QUÍNTUPLO

Com o auxílio do telescópio espacial Hubble, foi obtida a primeira fotografia de 
sempre de um quasar distante amplificado e resultando em cinco imagens de si
próprio. A imagem também mostra um tesouro de galáxias amplificadas e até uma
supernova.

A característica que é novidade para os cientistas é a de um grupo de cinco
imagens de quasares produzidas por um processo designado "lentes 
gravitacionais". O campo gravitacional de um corpo com uma massa extremamente
elevada, neste caso um enxame de galáxias, deforma o espaço circundante. A
luz emitida por um objecto, neste caso um quasar, chega até nós ampliada e
encurvada em diferentes ângulos. Assim, podemos observar várias imagens da fonte 
emissora, tendo a luz que forma cada imagem viajado numa direcção diferente 
através do espaço deformado.

Embora outros quasares já tenham sido observados através deste processo, este é
o único caso até ao momento em que várias imagens de um quasar são produzidas
por um enxame inteiro de galáxias que actua como uma "lente gravitacional".
Este enxame é conhecido por SDSS J1004+4112 e é um dos enxames de galáxias
mais distantes de que se tem conhecimento. A uma distância de sete mil milhões
de anos-luz, a imagem que observamos deste enxame foi "projectada" quando o
Universo possuia metade da sua idade actual. Este enxame também produz uma
teia de imagens de outras galáxias "ampliadas gravitacionalmente" em arcos.

Para ver uma imagem da região do céu onde se encontra o enxame SDSS J1004+4112, 
consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/lensed1.jpg

O quasar de fundo, observado pelo Hubble, é o núcleo brilhante de uma galáxia. A 
energia deste objecto é devida à presença de um buraco negro que se encontra a 
"devorar" gás e poeira, produzindo assim uma grande quantidade de radiação
neste processo. Quando a luz do quasar passa pelo campo gravitacional do enxame
de galáxias, que se encontra entre nós e o quasar, a luz é dobrada de tal
forma que cinco imagens do mesmo objecto são formadas em torno do centro do 
enxame.

Uma "lente gravitacional" produz sempre um número impar de imagens, mas uma
destas imagens é normalmente muito débil e encontra-se imersa na luz produzida 
pelo objecto que origina o efeito de "lente gravitacional". No caso da nova
imagem obtida, a quinta imagem do quasar encontra-se à direita do núcleo da
galáxia central do enxame.

Para ver a nova imagem obtida pelo Hubble, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/galaxias/lensed2.jpg

Embora observações anteriores do SDSS J1004+4112 tenham revelado quatro das
imagens do quasar, a "visão" do Hubble e a grande ampliação por parte do efeito
de "lente gravitacional" permitiu que a quinta imagem fosse observada
suficientemente afastada do núcleo da galáxia central. Assim, foi possível
observar esta quinta imagem do quasar.

A galáxia que alberga o quasar no seu centro, encontra-se à distância de 10 mil 
milhões de anos-luz e pode ser vista na imagem obtida na forma de arcos 
vermelhos débeis. Esta é a galáxia anfitriã de um quasar mais ampliada que já se 
observou até hoje.

A imagem do Hubble também mostra uma grande quantidade de arcos esticados que 
são galáxias mais distantes e que se encontram por trás do enxame. A luz de
cada uma destas galáxias é também distorcida em multiplas imagens. A galáxia
mais distante identificada até agora, encontra-se à distância de 12 mil milhões
de anos-luz.

Ao comparar a nova imagem, com outra obtida pelo Hubble um ano antes, os 
cientistas descobriram um evento raro - uma supernova a explodir numa das 
galáxias do enxame. Esta supernova explodiu há sete mil milhões de anos, e
os dados obtidos, juntamente com outras observações de supernovas, estão a ser
usados para a compreensão de como o Universo foi enriquecido por elementos 
pesados originados por estas explosões.





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