[Astronovas] VÉNUS O PLANETA GÉMEO DA TERRA
astronovas at oal.ul.pt
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Tue Dec 4 14:18:06 WET 2007
VÉNUS O PLANETA GÉMEO DA TERRA
Investigadores do CAAUL integram equipa responsável pelo estudo.
Vénus é mais parecido com a Terra do que se pensava, apesar das diferenças
extremas entre os climas dos dois planetas. Numa série de artigos publicados na
edição desta semana da revista Nature, os cientistas apresentam observações do
primeiro ano da missão Venus Express, da Agência Espacial Europeia. Os
resultados mostram como o gémeo da Terra evoluiu de maneira a formar as
condições extremas que observamos hoje à sua superfície e na atmosfera.
Os portugueses envolvidos na investigação são David Luz, investigador do Centro
de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa/Observatório Astronómico
de Lisboa - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (CAAUL/OAL-FCUL) e
Maarten Roos-Serote, que integrou o CAAUL/OAL até Agosto de 2007.
Håkan Svedhem e colegas contextualizam a missão e os seus primeiros resultados,
concluindo que os processos observados em Vénus podem ajudar a explicar como foi
que os percursos evolutivos dos dois planetas divergiram tanto.
Lançada em Novembro de 2005, a Venus Express é a primeira missão, nos últimos 25
anos, dedicada a estudos atmosféricos e de plasmas daquele planeta. Dois artigos
investigam a interacção da atmosfera com o ambiente planetário envolvente. S.
Barabash e colegas observaram o escape de partículas da atmosfera. Os iões
dominantes neste processo são o oxigénio, o hélio e o hidrogénio, o que pode
ajudar a explicar como Vénus terá perdido para o espaço a água que inicialmente
tinha.
Vénus não possui campo magnético interno, por isso esperava-se que o vento solar
- uma corrente de partículas carregadas proveniente do Sol - interagisse
directamente com a atmosfera. A equipa liderada por T. Zhang e colegas mostra
que, contrariamente, o vento solar é inteiramente desviado, mesmo em períodos de
actividade solar reduzida, não entrando na atmosfera. C. T. Russell e colegas
apresentam num outro artigo as primeiras indicações sólidas de relâmpagos em
Vénus, confirmados pela propagação de ondas electromagnéticas na ionosfera - a
camada mais externa da atmosfera.
Dois estudos debruçam-se com maior detalhe sobre as regiões polares do planeta.
Se observações anteriores já haviam revelado um enorme vórtice de nuvens em
rotação, com um duplo centro sobre o pólo norte, G. Piccioni e colegas
apresentam provas de uma estrutura semelhante no pólo sul, mas com uma rotação
mais rápida. Estas estruturas lembram a circulação atmosférica da Terra no
hemisfério de Inverno. W. J. Markiewicz e colaboradores investigaram em detalhe
a dinâmica das camadas superiores de nuvens, e descobriram que a região polar
sul sofre variações consideráveis, possivelmente devido à injecção de dióxido de
enxofre a partir da superfície.
P. Drossart e colegas apresentam resultados sobre os níveis de oxigénio e de
dióxido de carbono, nos lados diurno e nocturno, na alta atmosfera de Vénus - a
região de transição entre a atmosfera mais densa e o espaço. E Jean-Loup Bertaux
e colaboradores demonstram a existência de uma camada mais quente na alta
atmosfera, entre 90 e 120 km de altitude no lado nocturno do planeta, uma região
a que, por se pensar ser muito fria, se deu o nome de "criosfera". Por fim, M.
Pätzold e colegas, a partir da experiência de rádio-ocultação, elaboraram uma
série de perfis de temperatura, a diferentes altitudes, mais detalhada e com
mais precisão do que os anteriores.
Imagens e animações em:
http://www.esa.int/SPECIALS/Venus_Express/
Para mais informações contacte:
Eugénia Carvalho
Gabinete de Relações Públicas e Comunicação
Observatório Astronómico de Lisboa
Tapada da Ajuda,1349-018 Lisboa
Tef. 21 361 67 39/30 Fax 21 361 67 52
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