[Astronovas] INVESTIGADOR DO CAAUL DISTINGUIDO PELA GULBENKIAN
astronovas at oal.ul.pt
astronovas at oal.ul.pt
Tue Dec 11 16:03:20 WET 2007
INVESTIGADOR DO CAAUL DISTINGUIDO PELA GULBENKIAN
O Doutor Xavier Bonfils, investigador do Centro de Astronomia e Astrofísica da
Universidade de Lisboa (no Observatório Astronómico de Lisboa) foi distinguido
pelo Programa Gulbenkian de Estimulo à Investigação 2007. O projecto de
investigação premiado tem como título "Search and Characterization of Exoplanets
orbiting Red Dwarfs - The First Telluric and Habitable Exoplanets". A entrega do
prémio realizar-se-á em cerimónia a decorrer em Fevereiro de 2008, nas
instalações da Fundação Calouste Gulbenkian.
É com grande honra e agradecimento público que o CAAUL/OAL vê pela terceira vez,
um dos seus investigadores ser distinguido pela Fundação Calouste Gulbenkian,
pois é também o reconhecimento da excelência do trabalho desenvolvido nesta
instituição da Universidade de Lisboa.
Resumo dos objectivos e principais resultados esperados.
Nesta fase do projecto pretende-se estudar as propriedades estatísticas dos
sistemas planetários extra-solares de forma a restringir a física da formação de
planetas. Porque são alvos privilegiados, o trabalho centra-se no estudo de
estrelas de massa muito pequena, anãs do tipo M. As propriedades destas estrelas
permitirão a descoberta de um grande número de planetas de massa igual à
terrestre, incluindo, planetas habitáveis e, talvez, o primeiro trânsito de um
planeta telúrico.
Na realidade, estrelas anãs de tipo M, são estrelas de massa muito pequena,
relativamente frias e pouco brilhantes. Em termos de número devem representar
50-70% das estrelas da nossa Galáxia. Em termos de massa representam cerca de
70% da matéria bariónica da Via Láctea. Isto significa que se queremos realmente
conhecer a população de planetas da Galáxia é inevitável estudar as anãs M. Além
disso, a técnica mais comum de procura de planetas extra-solares (o método da
velocidade radial), sendo sensível à razão entre a massa da estrela e a massa do
planeta, pode permitir a descoberta dos planetas mais pequenos, uma vez que as
anãs M são também estrelas pequenas. Foi na realidade em torno de uma estrela
anã de tipo M que descobrimos o planeta de menor massa conhecido até ao momento
(Gl581 c). Este planeta é também o primeiro a ser considerado potencialmente
habitável (Bonfils et al 2005, A&A, 443, 15; Udry et al. 2007, A&A, 469,43).
Para além destas descobertas muito apelativas, propõe-se um novo projecto que
fará observações muito frequentes de um número significativo de anãs M. Os
resultados esperados deste projecto são a descoberta de: 1) um número elevado de
planetas de pequena massa e 2) pelo menos um planeta de pequena massa que
transite a sua estrela. A frequência elevada das observações permitirá a
descoberta dos planetas com períodos orbitais mais pequenos. Cada novo planeta
detectado será acompanhado através de observações fotométricas de forma a
determinar se transita ou não a sua estrela mãe. As estimativas actuais sobre a
frequência de planetas sugere que deveremos detectar novos trânsitos de planetas
e eventualmente a detecção do primeiro trânsito de um planeta telúrico. Os
trânsitos de planetas são a única forma de obter informação directa sobre o
raio, densidade, temperatura, espectro e composição química. A detecção do
trânsito de um planeta telúrico constituirá um marco fundamental no campo das
ciências planetárias.
No decorrer desta pesquisa, muitos outros planetas extra-solares serão
descobertos. A informação estatística recolhida terá também um impacto crucial
na forma como compreendemos a formação planetária. Na realidade, compreender
quão frequentes e massivos são os planetas em volta de anãs M pode permitir
impor limites estritos e discriminantes sobre os diferentes modelos teóricos de
formação planetária (Laughlin et al. 2004; Ida & Lin 2005; Boss 2006).
More information about the Astronovas
mailing list