[Astronovas] UMA SURPRESA MAGNÉTICA

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Tue Mar 6 19:47:16 WET 2007


UMA SURPRESA MAGNÉTICA 

Com o auxílio do telescópio espacial de raios-X XMM-Newton, uma equipa de 
astrónomos fez uma descoberta que fornece uma solução possível para um mistério 
com vinte anos. Observações realizadas com o XMM-Newton revelaram evidências de 
um campo magnético num local do espaço onde a sua existência não seria de 
esperar. Este campo magnético encontra-se em torno de uma estrela jovem 
designada por AB Auriga.

Com 2,7 vezes a massa do Sol, a AB Auriga é uma das estrelas de maior massa na 
nebulosa de Taurus-Auriga e, embora esteja incluida num grupo de aproximadamente 
400 estrelas de menor dimensão, a sua radiação ultravioleta desempenha um papel 
crucial no que respeita a "moldar" a forma da nebulosa. A massa elevada desta 
estrela coloca-a numa classe designada por estrelas Herbig.
O XMM-Newton tem realizado um estudo que tem como objectivo a observação da 
nebulosa de Taurus-Auriga no comprimento de onda dos raios-X, observando assim, 
sistematicamente, a AB Auriga e as outras estrelas de menor dimensão. Os dados 
obtidos revelaram que a AB Auriga possui uma emissão intensa em raios-X.

Para consultar uma imagem da AB Auriga obtida com o XMM-Newton, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/magne1.jpg 

Pode-se observar na imagem a estrela AB Auriga, no lado direito, com um tom 
alaranjado. A estrela brilhante que se encontra do lado esquerdo da imagem é uma 
estrela semelhante ao Sol. Esta possui um brilho intenso nos raios-X devido aos 
seus gases muito quentes.

Acredita-se que estrelas jovens com campos magnéticos intensos emitam raios-X, 
mas cálculos computorizados têm vindo a sugerir repetidamente que estrelas da 
classe Herbig não possuem condições internas indicadas para gerar um campo 
magnético significativo. No entanto, nos últimos 20 anos os astrónomos têm vindo 
a detectar emissões de raios-X provenientes destes objectos. Sendo assim, de 
onde vêm estas emissões?
Alguns astrónomos sugeriram que estrelas da classe Herbig poderiam possuir uma 
estrela companheira de menor dimensão e que os raios-X poderiam ser originados 
neste objecto.

Uma equipa internacional de astrónomos analisou os dados provenientes da AB 
Auriga e descobriu que a temperatura do gás que produz os raios-X encontra-se 
entre um e cinco milhões de graus Célcius. Este valor para a temperatura do gás 
é estranhamente baixo visto que estrelas jovens semelhantes ao Sol, possuem 
atmosferas gasosas que atingem temperaturas superiores a dez milhões de graus 
Célcius, por acção dos seus campos magnéticos.

A equipa descobriu ainda uma outra pista que indica que os raios-X têm de ser 
originados na AB-Auriga e não numa estrela companheira - foi observado que os 
raios-X variam em intensidade a cada 42 horas. Esta periodicidade de 42 horas é 
uma espécie de "marca registada" desta estrela, pois os astrónomos já tinham 
conhecimento de que a variação da radiação no visível e no ultravioleta 
proveniente da AB Auriga possuia uma periodicidade também de 42 horas. Isto 
confirma que a radiação no comprimento de onda dos raios-X é originada na AB 
Auriga e não numa estrela companheira.

Para ver a curva de luz da AB Auriga, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/magne2.jpg 

No entanto, o mistério de como os raios-X seriam originados permaneceu. 
Analisando novos dados de alta-resolução da AB Auriga, a equipa de astrónomos 
procurou uma espécie de "impressão digital" espectral que indicasse a que 
distância da "superfície" da estrela está localizado o gás responsável pela 
emissão dos raios-X.

Para surpresa de todos, o gás foi encontrado muito acima da "superfície" da 
estrela, quando se esperava que este estivesse localizado muito mais perto 
desta. O facto de os raios-X serem originados nesta localização, significa que o 
gás expelido pela estrela (vento estelar), encontra-se provavelmente a ser 
conduzido numa rota de colisão algures acima da "superfície" da estrela. Apenas 
uma coisa poderia "conduzir" este gás, um campo magnético (embora não muito 
forte).

Com alguma sorte, uma equipa que trabalhava juntamente com os astrónomos que 
efectuaram esta descoberta, no projecto da Taurus-Auriga, tinha desenvolvido um 
modelo para campos magnéticos deste tipo embora para outra classe de estrelas. 

Trabalhando em conjunto, ambas as equipas propuseram que quando a nuvem de gás 
que deu origem à AB Auriga colapsou, reteve parte do campo magnético que 
envolvia essa região do espaço. Este campo magnético encontra-se agora "preso" 
no interior da estrela e "afunila" os ventos estelares provenientes desta. Estes 
ventos, originados em ambos os hemisférios da AB Auriga, acabam por colidir 
originando então raios-X.

Embora esta explicação para o mistério com mais de 20 anos seja razoalvelmente 
satisfatória e simples, a equipa de astrónomos não tem a certeza se será 
aplicável a outras estrelas da classe Herbig. Para resolver totalmente este 
puzzle, torna-se agora necessário analisar outros espectros de alta-resolução de 
outras estrelas da classe Herbig.





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