[Astronovas] UMA ESTRELA DIFÍCIL DE DEFINIR

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Fri Mar 16 16:52:54 WET 2007


UMA ESTRELA DIFÍCIL DE DEFINIR

Com o auxílio de dados obtidos com o telescópio espacial de raios-X XMM-Newton, 
foi possível descobrir que o elemento com maior brilho de um grupo de estrelas 
designado por "As Sete Magníficas", possui um período de pulsação de 7 segundos. 
Esta descoberta resolve um mistério que se manteve durante uma década.

A descoberta levanta algumas dúvidas relativas à interpretação recente de que o 
objecto em questão é um corpo celeste extremamente exótico conhecido como 
estrela de quarks.
"As sete magníficas" é um conjunto de estrelas de neutrões jovens. As estrelas 
de neutrões são o núcleo de uma estrela outrora de grande massa. Com apenas 
10-15 quilómetros de diâmetro, estes objectos possuem cerca de 1,4 massas 
solares comprimidas pela gravidade numa esfera ultra-densa. Se uma moeda de um 
Euro fosse constituida por matéria de uma estrela de neutrões, a pequena moeda 
pesaria mais que toda a população da Terra. 
Conhecem-se cerca de 1700 estrelas de neutrões que são vistas como pulsares de 
rádio. As sete magníficas destacam-se destas 1700 estrelas devido ao facto de 
não serem detectadas em frequências de rádio e as suas superfícies serem 
suficientemente quentes para emitirem radiação no comprimento de onda dos 
raios-X.

Deste conjunto de 7 estrelas, o objecto mais brilhante, RXJ1856, tem sido um 
mistério para os astrónomos desde a sua descoberta há 10 anos. Apesar de o 
objecto ser muito brilhante, ninguém tinha sido capaz, até agora, de descobrir 
pulsações provenientes do corpo e, consequentemente, o seu período de rotação 
permanecia um mistério. 

Para ver uma imagem da região do espaço onde a estrela RXJ1856 (indicada pela 
seta no círculo amarelo) se encontra, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/seven1.jpg

Usando os dados obtidos com o XMM-Newton, uma equipa de astrónomos procurou um 
sinal de pulsação proveniente da RXJ1856 e tiveram êxito. A equipa observou o 
objecto durante 19 horas e detectou uma pulsação repetitiva com um período de 7 
segundos. 

Para ver uma imagem de raios-X da RXJ1856, consulte:
http://www.oal.ul.pt/astronovas/estrelas/seven2.jpg

O período de pulsação é uma característica típica de uma estrela de neutrões. No 
caso da RXJ1856, o período de pulsação de 7 segundos significa que o pequeno 
objecto possui rotação e que um "ponto quente" na sua superfície passa pela 
nossa linha de visão a cada 7 segundos. Análogamente, o feixe de luz de um farol 
"varre" um círculo e passa repetitivamente na nossa linha de visão num 
determinado intervalo de tempo. As pulsações na RXJ1856 possuem amplitudes muito 
baixas, o que explica o porquê destas não terem sido detectadas antes.

A RXJ1856 é um objecto intrigante para os astrónomos. Com o auxílio do 
telescópio espacial Hubble, foi possível determinar com grande precisão a 
distância a este corpo, 500 anos-luz. A obtenção da distância da RXJ1856 
permitiu aos astrónomos utilizar o seu brilho para calcular o seu raio. O raio 
estimado, menos de 10 quilómetros, acabou por confundir os astrónomos. O facto 
do raio ser tão pequeno, levou os cientistas a colocar a hipótese de que a 
RXJ1856 seria um objecto extremamente exótico conhecido como estrela de quarks. 
Embora a hipótese de o corpo ser uma estrela de quarks não tenha sido totalmente 
posta de parte, as pulsações observadas mostram que o objecto enquadra-se também 
nos modelos de estrelas de neutrões. 

O período de rotação de uma estrela de neutrões vai diminuindo ao longo do 
tempo. Isto deve-se ao facto de o seu campo magnético muito forte (um bilião de 
vezes maior que o campo magnético da Terra) juntamente com a sua rotação rápida, 
produzirem radiação electromagnética que acaba por diminuir lentamente a energia 
rotacional da estrela. 
Se se conseguir obter medições mais precisas do período de pulsação, será 
possível saber qual a taxa de desaceleração da rotação da RXJ1856.
A obtenção da taxa de desaceleração do objecto forneceria aos astrónomos uma 
pista acerca do seu campo magnético, campo esse que cria o "ponto quente" que 
está na origem da pulsação. 





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